PAULO CRISTÓVÃO Grande Entrevista

2 December 2007 | Posted by  Leave a Comment
RTP 11 de Outubro de 2007

"JOANA...Um dos casos mais díficeis para a polícia Portuguesa. O corpo de Joana nunca foi encontrado mas a confissão levou a mãe e o tio para a cadeia.
Dois anos depois, a polícia enfrenta outro grande desafio...Descobrir o que aconteceu a Madeleine MCCann.
Perante isto, qual é o trabalho dos INVESTIGADORES? Como pensam estes homens Quais são os seus sentimentos perante a dor e a dúvida?
As RESPOSTAS são dadas por um dos investigadores do caso Joana.
Paulo Cristóvão, escreveu um livro e vem à GRANDE ENTREVISTA contar os bastidores de um dos casos que mais emocionou a opinião pública Portuguesa. "






Programa Grande Entrevista, emitido a 11 de OUTUBRO de 2007 pela RTP1.

Entrevistadora: Judite de Sousa.

Entrevistado: Paulo Pereira Cristóvão, ex-inspector da PJ.

Lead: “Pode haver condenação mesmo que o corpo não seja encontrado“. Os casos de Joana Cipriano e de Madeleine McCann.



Ctação: «Qualquer um de nós é um homicida em potência»

Quem é Paulo Pereira Cristóvão?


Paulo Pereira Cristóvão nasceu em Lisboa há 38 anos. Em Novembro de 1990 entrou para os quadros da Polícia Judiciária de onde saiu no início de 2007 para fundar uma empresa de Consultoria e Investigação. Com formação específica ao nível da Perícia Psicológica, Perfis e Tendências Criminais, bem como Justiça Criminal, Paulo Pereira Cristóvão esteve à frente de alguns dos processos mais mediáticos da Direcção Central de Combate ao Banditismo



ARGUIDOS E REGRESSO
In Diário de Notícias 2007/09/10

Paulo Pereira Cristóvão
ex-inspector da Polícia Judiciária*

As últimas quarenta e oito horas marcaram significativamente o caso Madeleine. Os pais abandonaram o território nacional com a justificação de que os filhos mais novos necessitariam de voltar à sua vida normal no Reino Unido. Pensamos que, após 129 dias em Portugal, poderiam ter aguardado mais quatro ou cinco como forma de, já possuindo a Polícia Judiciária todos os resultados periciais, se esclarecer de forma inequívoca, aquilo que para eles é a total ausência de responsabilidade no desaparecimento da pequena Madeleine. Na verdade a constituição de arguido a que ambos foram sujeitos, é o normal desenvolvimento após surgirem fortes indícios que poriam colocar em causa as suas anteriores declarações enquanto testemunhas. Também é verdade, e eles bem o saberão, que no Reino Unido ou em Portugal, deixar três crianças entregues à sua sorte num apartamento com os acessos que aquele possuía, constitui ilícito penalmente relevante.

Não será então menos verdade que, ao contrário do que familiares próximos do casal referiram nos últimos dois dias, a Polícia Judiciária sempre os tratou como vítimas, ou seja, sempre foram encarados como pais aos quais foi retirada uma filha. Foi assim e era assim que devia ser. A presunção de inocência aplica-se a todos aqueles sob os quais não tenha sido proferida qualquer sentença condenatória. Não havia qualquer razão, a início, para que fosse formulado qualquer juízo de valor menos ou mais valorativo sobre este casal. Eram uns pais aos quais havia sido retirada a filha e isso basta para a Polícia. Acontece que as investigações são sempre um fio pelo qual se puxa nunca se sabendo a dimensão do mesmo ou aquilo que poderá estar no interior do novelo. A polícia reconstituiu aquela noite da melhor forma que lhe foi possível fazer. Foi através do desfiar do novelo que, naturalmente se chegou às últimas quarenta e oito horas em que, fazendo aquilo que o Código de Processo Penal manda em situações como a que ocorreu, teve que conceder aos casal o direito de nada dizer que os possa incriminar; de não responder a qualquer pergunta e inclusivamente de mentirem sem que algum mal ou punição lhes ocorra. Posto isto, alguém poderá seriamente afirmar que existirá vontade da Polícia em incriminar dolosa e falsamente os pais da Maddie? Não seria mais confortável para a polícia mantê-los sob a condição de testemunhas, figura onde têm que tudo dizer e a tudo responder sem qualquer possibilidade de omitirem ou mentirem qualquer facto? As respostas são óbvias.

Uma dúvida nos assalta. Sendo certo que familiares próximos difamaram de forma desabrida a polícia portuguesa atribuindo-lhe plantação de provas entre outros actos de difícil reprodução, será que os McCann regressarão a Portugal quando e se a Justiça portuguesa os chamar para novos esclarecimentos? Será que, recusando-se eventualmente a fazê-lo, o Governo britânico os colocará em território português? Esperemos então. Da nossa parte, seguramente continuaremos a fazer uma investigação isenta, empenhada e imune aos ventos do norte que certamente soprarão com mais força nos próximos tempos.|

* Autor do livro 'A Estrela de Joana', publicado pela Editorial Presença

Related Articles:

RTP: Sem rasto da Joana
Joana Cipriano Case


0 comments »

:a   :b   :c   :d   :e   :f   :g   :h   :i   :j   :k   :l   :m   :n   :o   :p   :q   :r   :s   :t

Comments Policy. Please read before posting comments.

We enjoy hearing what you have to say and welcome your comments. However, to ensure that your comments add to and not detract from our site we have put a formal comment policy in place. This allow us to set the expectation of what is and what is not acceptable to allow us to maintain the integrity of content and comments on our site. We reserve the right to delete comments we deem as spam, transparent attempts to get traffic without providing any useful commentary, and any contributions which are offensive or inappropriate for civilized discourse. We will also not tolerate personal attacks, be it against other commentators, or third parties. Although discussions often open up new topics, please try to keep the discussion on the subject of the blog post / article. Please think before you submit your comments. Comments are a reflection on you and your personality. They will live on long after you have forgotten what you said.