16 September 2009

Testemunho Kate McCann - 4 Maio 2007


PROCESSO 201/07.0GALGS - páginas 58 a 63, Volume I
AUTO DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA

Data da diligência: 2007/05/04 Hora: 14H20 Local: DIC Portimão
Funcionário que executa: J*** C****, Inspector
Nome: KATE MARIE HEALY
Filiação: Brian Edward Healy e de Susan Jean Healy
Natural Freguesia: Reino Unido
Nacionalidade: Britânica Data de nascimento: 1968/03/05
Residência: O***** H****, n.*, T** C**** Rothley, Leicestershire, ** * **
Telefone: 004411********
Estado Civil: Casada Profissão: Médica
Local trabalho: Latharn House Medica1 Pratice, Sage Cross ST, Melton Mowbray, Leicestershire
Telefone: 0441 ********
Passaporte n. ******+
Emitido em 1998/12/07 pelo Reino Unido
Informado sobre as relações familiares ou equiparadas com o arguido enunciadas no artº 134, nº1 do C.P.P., e da faculdade que lhe pode, por isso, assistir, disse que não se verifica nenhuma dessas relações. Passa a prestar depoimento.

- - - Vir aos autos na qualidade de participante e ofendida, como Mãe da menor. Sendo de nacionalidade britânica desconhece a língua Portuguesa na sua forma oral e escrita, encontrando-se assim presente um intérprete NATÁLIA C**** F***** DE A*****, residente U***** da F****** G*****, lote ***, ****, M****** da C******, ****-*** E****+, telefone *******.

- - - Indagada disse estar casada com GERALD desde Dezembro de 1998. Nunca havia estado em Portugal.

- - - Esta viagem surgiu por sugestão de amigos, que no final do ano passado os convenceram a fazer férias em Portugal. Esta viagem foi organizada, ao que julga pelo DAVID PAYNE que ao consultar a Internet fez uma reserva no "Ocean Club" sito na Praia da Luz, Lagos, para a depoente o seu marido e o restante grupo, num total de nove adultos, e oito crianças a contar com a sua filha MADELEINE, grupo este já conhecido da depoente desde 2000 e outros há cerca de um ano, inclusive foi colega da esposa do DAVID.

- - - Desta forma, viajaram em dois grupos separados, sendo um dos grupos a depoente, o seu marido GERALD e três filhos, e o outro o amigo DAVID com a esposa, a sogra e dois filhos. 0s locais de saída, de avião, foram Leicestershire e Londres.

- - - Realizada a viagem, o ponto de encontro foi em Portugal, no "Ocean Club", onde o seu grupo chegou pelas 15H00 do passado dia 28 de Abril do corrente, Sábado, vindo do Aeroporto de Faro num pequeno autocarro cedido pelos serviços aeroportuários. O outro grupo também chegou no mesmo dia, no final da manhã, não sabendo qual o meio de transporte utilizado.

- - - Após fazerem o chek in, o depoente e sua família, ficaram alojados no apartamento G5A, sendo o núcleo familiar constituído pela depoente, o seu marido GERARD, a filha MADELEINE, e um casal de gémeos de dois anos de idade, SEAN e AMELIE. O apartamento era constituído por duas camas num quarto, mais duas num outro e mais duas camas de bébé cedidas pelo empreendimento, além do WC e cozinha. O depoente e sua esposa ficaram a dormir num dos quartos, e no outro os três filhos, os gémeos nas camas de bebé e a MADELEINE, numa cama ficando a outra vazia.

- - - Entre o dia 28, data da chegada e a hora em que foi detectado o desaparecimento disse que nada de inusitado sucedeu, referindo somente um episódio, em que na manhã de quinta-feira, dia 03, a MADELEINE, questionou a depoente qual o motivo de não terem ido ao seu quarto uma vez que os gémeos tinham chorado. A depoente como nada ouviu não se deslocou ao quarto, no entanto achou estranho o comentário da sua filha, até porque foi a primeira vez que aquela o fez.

- - - No tocante a rotinas, refere que no Domingo tomaram o pequeno almoço, entre as 07H30/08H30 no "Ocean Club" designadamente no Bar do mesmo a alguns metros de distância do apartamento. Nos dias seguintes e pelo facto do bar ser algo distante, começaram a adquirir comida num supermercado sito na mesma artéria do apartamento, de nome "BATISTA", efectuando assim a primeira refeição do dia no apartamento. Após o pequeno almoço, a partir das 09H00/09H30 as crianças ficavam num infantário do clube, designado por "Kid Club", em várias actividades tipo pintura, colagens etc, até cerca das 12H30, sempre vigiadas por várias funcionárias, num ratio de uma para três crianças. Salienta que dentro do infantário, devido a idade os gémeos ficavam num grupo e a MADELEINE noutro, com distintas actividades. Nesta hora, 12H30 os pais recolhiam as crianças e almoçavam no apartamento, já que dispunha de cozinha. Terminado o almoço, cerca das 13H30, as crianças ficavam junto a piscina do clube, vigiadas pelos pais, durante cerca de 45 minutos, onde se recriavam, colocavam cremes protectores etc. Decorrido este tempo, colocavam novamente as crianças no "Kid Club" até cerca das 17H00/17H30, altura em que essas jantavam, no bar, sob o olhar atento dos pais. Após o jantar das 17H00, davam-lhes banho, preparavam-nas para a noite e brincavam alguns instantes numa área de recreio junto as pista de ténis, sempre e mais uma vez vigiadas pelos pais. Pelas 20H00 as crianças eram deitadas até à manhã seguinte onde se iniciava a rotina descrita.

- - - Enquanto as crianças se encontravam no "Kid Club", a depoente jogava ténis com o seu marido, passeava, lia e praticava "Jogging".

- - - No dia de ontem após efectuar a rotina diária a MADELEINE e os gémeos foram para o quarto, sendo colocados nas respectivas camas pelas 19H30. A depoente e o seu marido, após esta hora e até as 20H30 ficaram no apartamento a relaxar. Tomou banho, maquilhou-se e consumiu, juntamente com o seu marido, um copo de vinho Neozelandês. Após as 20H30, a depoente, o seu marido, após olharem os filhos, acomparilhados dos adultos, dirigiram-se ao restaurante "Tapas" a cerca de 50 metros, onde estiveram a jantar. Como habitualmente, de meia em meia hora e uma vez que o estabelecimento de restauração era perto, a depoente e o seu marido vinham verificar se os filhos estavam bem. Assim, sendo pelas 21H00 o seu marido veio ao clube, dirigiu-se ao quarto dos filhos, verificando que os gémeos estavam em perfeitas condições, bem como a MADELEINE, regressando logo após ao restaurante. Esse disse-lhe, além do bom estado dos filhos, que haviam encontrado a pessoa com quem havia jogado ténis, o qual também tinha dois filhos.

- - - Ressalva ainda que um dos amigos do grupo, de nome RUSSEL nessa altura também veio ver os filhos, não se deslocando contudo ao quarto onde a depoente estava alojada.

- - - Pelas 21H30, sendo a hora da depoente ir ver os seus filhos, o seu amigo MATT (integrante do grupo) e já que vinha executar missão idêntica, dirigiu-se ao apartamento onde estavam os filhos dele e de passagem foi ao apartamento do depoente. Aquele entrou no apartamento por uma porta vidrada de correr lateral, que estava sempre destrancada e uma vez no interior não chegou a deslocar-se ao quarto das crianças, somente ficou pela porta do quarto, atentando nos ruídos e observando as camas. Regressou ao restaurante, dizendo que estava tudo bem.

- - - Pelas 22H00 a depoente veio verificar os filhos, entrou no apartamento pela porta lateral que estava fechada, mas destrancada conforme detrás dito e verificou desde logo que a porta do quarto dos filhos estava completamente aberta, a janela também aberta, as persianas subidas e as cortinas afastadas, quando tem a certeza de ter fechado tudo, o que sempre fez. Perante este quadro alterado verificou que o gémeos se encontravam nas camas respectivas, ao contrário da MADELEINE que havia desaparecido, com a particularidade do cobertor estar ordeiramente puxado para trás e os brinquedos em cima da almofada o que era habitual. Após buscar minuciosamente o apartamento, e já bastante assustada e alterada foi para o restaurante, alertando o seu marido e os demais para o desaparecimento. De imediato o grupo dirigiu-se rapidamente para o clube, buscou todas as instalações, piscina, ténis etc., e o apartamento, com o auxílio dos funcionários, ao mesmo tempo que contactaram as autoridades que viriam a comparecer.

- - - Subsequentemente ao que apurou, salientou que um dos elementos do grupo, JANE companheira do RUSSEL, cerca 21H15, e quando foi ao apartamento dela, ver os filhos, visualizou pela retaguarda a cerca de cinquenta metros, na artéria que confina com o clube, um indivíduo de cabelos longos, ao que julga, calças de ganga, com uma criança ao colo e a andar muito rápido, sendo essa quem melhor poderá esclarecer.

- - - Atinente a MADELEINE descreve-a como sendo de raça caucasiana, pele bastante branca, quatro anos de idade (12/05/2003), cerca de 90 cm de altura. Compleição magra, cabelo louro escuro, liso e pelos ombros. Olho esquerdo azul e verde e o direito também verde com uma marca castanha na pupila. Tinha um pequeno sinal de pele de cor castanha no gémeo da perna esquerda, bem como uma pequena mancha, provocada pelo sol, no antebraço direito. Não ostentava qualquer cicatriz. Aquando do desaparecimento trajava um pijama, sendo as calças brancas com motivos florais e rendas no final. A parte superior de manga curta, predominantemente cor-de-rosa e uma figura na frente de um jumento de cor azul e cinza, com a inscrição "EEYORE", aliás inscrição que também ostentava uma das pernas das calças.

- - - O pijama era da marca "Marks e Spencer".

- - - No tocante a personalidade da criança era extrovertida, muito activa, falante, esperta com grande facilidade de relacionamento com as demais crianças. Ainda assim disse que ela nunca acompanharia um estranho.

- - - Não tem suspeitos a indicar, nem encontra qualquer motivo para tal acto, já que não tem inimigos, nem os conhece ao seu marido.

- - - Adianta que a sua filha não padece de nenhuma enfermidade ou toma qualquer medicação.

- - - Perguntado disse que autoriza que seja efectuada uma leitura aos dados constantes do seu telemóvel, com o nº 4479********.

- - - Alem do Kid Club, e o apartamento, somente foram a praia com a MADELEINE e outras crianças uma vez e durante um curto período de tempo, já que o as condições atmosféricas estavam instáveis, o que sucedeu entre as 13H30 e as 15H00, momento em que regressaram ao clube. Na praia somente comeram um gelado e regressaram ao apartamento. Alem do descrito, na quarta ou quinta-feira, a MADELEINE e as demais crianças foram velejar para a praia a cinco minutos a pé do clube, durante uma hora, organizado pelo próprio empreendimento. A vigilância desta actividade e organização esteve a cargo do clube, pelo que a depoente não esteve presente, nem o seu marido.

- - - Nunca observou qualquer comportamento estranho durante estes dias ou algo que conduzisse a tal desfecho.

- - - Ao lhe ser exibida a lista de hóspedes do clube disse que somente conhece os nomes dos integrantes do grupo.

- - - Além da filha nada mais desapareceu, inclusive roupas ou adereços da criança.

- - - Perguntado disse que não tinha nenhum intercomunicador, mas o DAVID e a mulher FIONA possuíam um para ouvir o choro ou outros ruídos produzidos pelos filhos.

- - - Não tem outros elementos a fornecer para os autos, desejando o devido procedimento criminal e ser indemnizado pelo acto de que foi vítima. E mais não disse. Lido o auto o achou conforme, ratifica e vai assinar, juntamente com a intérprete. ......................................................


Kate Healy McCann Statement English Translation here

Relacionado: Testemunho Gerald McCann - 4 Maio 2007




5 comments:

  1. Kate McCann achou estranho a filha perguntar-lhe porque não acudiu ao choro dos filhos - reparem bem. A depoente, como não ouviu nada não foi ao quarto dos filhos. Que grande treta. Este inocente relato é para não contrariar um possível testemunho da vizinha de cima, não é assim?
    Kate e Gerry McCann não ouviram nada porque não estavam no apartamento, estavam a curtir o jantar com os amigos. Foi uma das raras vezes que o casal disse mesmo a verdade à polícia.
    Alexandra

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  2. ..."a janela também aberta, as persianas subidas e as cortinas afastadas, QUANDO TEM A CERTEZA DE TER FECHADO TUDO, O QUE SEMPRE FEZ."

    Estou enganada ou noutro depoimento Kate (ou Gerry) disse que a janela nunca foi mexida, que nunca a abriram durante a estadia?!Sempre me fez confusão nunca abrirem a janela nem as persianas, com tanta luz de dia seria lógico prepararem as crianças cada manhã de janela fechada e luz acesa? Para mim não faz sentido...

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  3. Palavras da Bíblia:

    " Ha´ouvidos que nao ouvem"

    Greetings,

    Maria

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  4. Esta alusao ao comentario de Madeleine a proposito do choro na noite anterior, nao e inocente. Kate, quis justificar o depoimento da vizinha e eventualmente alimentar a ideia de um raptor que ja teria rondado o quarto ou mesmo entrado, na noite anterior. O problema e que a investigacao sofisticada da policia de dois paises, nao encontrou qualquer vestigio de um hipotetico raptor. E como dizem investigadores experientes: Os criminosos e as vitimas, levam consigo vestigios da cena do crime e deixam sempre, na cena do crime, vestigios deles mesmos. Assim sendo, o raptor so podia ser alguem que frequentava habitualmente o apartamento- Os pais ou os amigos. Nao ha vestigios de estranhos.
    O depoimento de Kate e a teoria do rapto, anulam-se quando os caes detectam vestigios e odor de cadaver no apartamento e no carro alugado. Os caes detectaram vestigios e os vestigios foram recolhidos. Os vestigios foram factos concretos, nao foram um faz-de-conta em que a policia andasse a brincar "as recolhas de ADN".
    Alguem morreu no ap. 5A e um cadaver foi transportado no carro alugado. Em Portugal, nao e possivel transportar legalmente cadaveres sem os sujeitar a autopsia e sem serem usados veiculos proprios para isso. Se nao foi Madeleine, quem morreu no apartamento, entao quem e o outro cadaver? Este cadaver, a existir, teria de ser do conhecimento do Ocean Club, ja que nao ha relato de mais ninguem desaparecido dali.
    Portanto a chave esta nas pistas levantadas pelos caes. Eles so vieram reforcar as duvidas da policia, relativamente a inconsistencia dos depoimentos.
    Acho que este caso merece uma busca intensa e meticulosa a casas no Algarve, onde tenham estado ou estejam pessoas ligadas aos pais e aos amigos. A busca deve alargar-se as casas de todos os familiares e amigos em Inglaterra. Este caso tornou-se planetario, por isso ninguem consegue manter a crianca cativa, se estiver viva, sem que alguem note. Morta.. ja nao e a mesma coisa. E ninguem sabe se os Mccann, ou alguem relacionado com eles , nao guardam segredos incomodos de gente que eles eventualmente usam ou chantageiam para serem ajudados. Ha circunstancias que tornam as pessoas maquiavelicas e nao podemos esquecer as verdades que as estatisticas nos dao: E ENORME A PERCENTAGEM DE CRIANCAS VITIMAS DO MEIO FAMILIAR. Hoje a Australia revelou mais um pai monstruoso que abusou durante 30 anos da filha.

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  5. How is it possible that, what must have been the single utmost critical momnets of her life she gets all the details wrong.
    That's not confusion, that's lying.
    Now, Kate, tell why do you have to lie?

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