29 October 2009

Testemunho Dianne Webster – 11 Maio 2007


PROCESSO 201/07.0GALGS - páginas 949 a 955, Volume IV
AUTO DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA

Data da diligência: 2007/05/11 Hora: 11H30 Local: DIC Portimão

Funcionário que executa: P**** V****** e P******* D*****, Inspectores

Nome: DIANNE WEBSTER (já identificada nos presentes autos)

Informado sobre as relações familiares ou equiparadas com o arguido enunciadas no artº 134, nº1 do C.P.P., e da faculdade que lhe pode, por isso, assistir, disse que não se verifica nenhuma dessas relações.
Passa a prestar depoimento.

À matéria dos autos disse:

Que vem aos autos na qualidade de testemunha e que é de sua livre e espontânea vontade que presta declarações no âmbitos dos presentes autos.

Perguntado esclarece que não domina a Língua Portuguesa, nas suas vertentes escrita e oral, razão pela qual é assistida neste auto por ROBERT JAMES QUERIOL EVELEIGH MURAT, residente na Casa Liliana, sita na Rua do Ramalhete, na Praia da Luz, em Lagos, contactável através do telemóvel com o número 9******** que lhe serviu de intérprete.

Que veio de férias para Portugal com o grupo no qual se integrava a MADELEINE, grupo este composto por nove adultos e oito crianças.

A propósito dos indivíduos que integravam o supra mencionado grupo, esclarece que os mesmos se consubstanciavam em quatro casais (entre os quais se encontrava a sua filha FIONA e o genro DAVID), e respectivos filhos.

Relativamente a sua relação com os membros do referido grupo, acrescenta que não teria com eles relação directa, apesar de se tratarem de indivíduos próximos do casal PAYNE.

Segundo julga, o casal PAYNE terá iniciado uma relação de amizade, na medida em que o seu genro, DAVID, terá frequentado a universidade juntamente com o RUSSEL, a qual ter-se-á estendido aos dois outros casais (McCANN e O'BRIEN), em razão dos membros daqueles casais, à excepção da RACHEL e da JANE, exercerem a profissão de médicos.

A pergunta refere que, é a primeira vez que passa férias com o referido grupo, sabendo contudo que alguns daqueles casais já terão passado férias juntos noutras ocasiões.

No que respeita a presente viagem, esclarece que, e segundo julga, quem terá tratado de todos os pormenores relativos a viagem para Portugal foi a sua filha FIONA. Que esta terá tratado da referida viagem juntamente com o seu marido DAVID, e que para o efeito ter-se-ão socorrido da operadora turística "MARC WARNER”, via internet.

Refere que veio para Portugal passar através por convite da sua filha FIONA e do seu genro DAVID.

Acrescenta desconhecer as razões que levaram a que, o destino das presentes fosse Portugal, nomeadamente a Praia da Luz e, em especial o "Ocean Club Garden".

Refere ter efectuado a sua própria reserva, somente no que diz respeito ao avião, via Internet, ao contrário dos restantes membros do grupo, cujas reservas foram empreendidas por intermédio do casal PAYNE.

Perguntado esclarece que, nunca antes havia estado em Portugal, sendo certo que a primeira vez que cá esteve foi nas presentes férias.

Que todo o grupo terá chegado a Portugal no passado dia 28 de Abril, tendo igualmente sido todos os seus elementos sido alojados no empreendimento turístico supra identificado, conforme havia inicialmente sido previsto.

Porque perguntado esclarece ter ficado no apartamento 5H, juntamente com o Casal PAYNE e respectivas filhas (L**** com dois anos e S******* com um ano).

Instada acerca da rotina ocorrida durante o período de férias ocorrido no nosso país, esclarece que normalmente tomava o pequeno-almoço no respectivo apartamento, na medida em que o Restaurante "MILLENIUM" ficava bastante afastado do empreendimento onde estava alojada.

Ainda assim, esclarece que no passado dia 2 de Maio, véspera do desaparecimento de MADELEINE terá tomado o pequeno almoço no restaurante "MILLENIUM", urna vez que, como estava a chover nesse dia não teria tido oportunidade de se dedicar às práticas desportivas matinais.

Acrescenta que, nos dias que antecederam o desaparecimento de MADELEINE, após o pequeno almoço, costuma praticar desporto (em especial, ténis), posto o que se deslocava ao supermercado BATISTA, a fim de efectuar as compras para o almoço.

No regresso, refere que as várias famílias que integravam o grupo costumavam reunir-se no apartamento dos PAYNE, a fim de almoçarem em conjunto, esclarecendo que tal ficava a dever-se ao facto de tratar-se do apartamento de maiores dimensões.

Após o almoço, as crianças dormiam a sesta, permanecendo normalmente a seu cuidado, posto que se deslocavam para junto dos PAYNE a fim de prosseguirem, em conjunto, com as actividades de lazer às quais se dedicaram durante as férias.

A propósito das referidas actividades esclarece que era hábito ir para a praia, piscina e praticar as várias modalidades desportivas monitorizadas pelo empreendimento turístico.

Também ia por vezes a Praia, auxiliava o casal PAYNE a tratar das crianças, durante os períodos em que estas não se encontravam no Kids-Club.

Ao final da tarde, pelas 16H45 e até as 17H30, as crianças jantavam no Restaurante "TAPAS", posto que eram transportadas para o apartamento a fim de se preparem para dormir, o que ocorria pelas 19H00.

Posto isto, a família PAYNE, a depoente incluída, preparavam-se para o jantar que ocorria cerca das 20H45 no Restaurante "TAPAS".

A pergunta feita, acrescentou que o restaurante reservara sempre a mesma mesa para o grupo no qual viera integrada, porquanto se tratava da única mesa ali existente capaz de comportar um grupo composto por nove pessoas.

Indagada, refere que, apesar de a mesma se encontrar posicionada de frente para as varandas traseiras do bloco residencial, o ângulo de visão não permite controlar cabalmente o eventual acesso de pessoas ao interior dos apartamentos do rés-do-chão pelos pátios existentes nas respectivas traseiras - tanto mais que o restaurante se encontra coberto por um oleado transparente que dificulta a capacidade de visão.

Perguntado quem terá feito a reserva do referido restaurante, diz que a mesma terá sido efectuada pela RACHEL, esclarecendo que, apesar do jantar estar marcado para as 20H30, o grupo nunca se reunia antes das 2OH45/21HOO, devido aos atrasos sucessivos dos vários casais.

Á pergunta feita, relativamente ao facto de, eventualmente, no primeiro dia ter sido o RUSSEL a fazer a respectiva reserva do supra referido Restaurante, admite isso como possível, apesar de não conseguir precisar qual dos dois (RACHEL ou RUSSEL) o teria feito.

Instada diz que, segundo recorda, os jantares normalmente terminavam cerca das 23H00, altura em que regressariam para os respectivos apartamentos onde pernoitavam.

No que concerne ao passado dia 3 de Maio, data da ocorrência dos factos ora em investigação, esclarece ter-se dedicado a prática das actividades genericamente reportadas nos parágrafos que antecedem, sem se ter apercebido da ocorrência de quaisquer factos que, por inusitados, viesse a
relacionar com o desaparecimento da MADELEINE.

Instada a reportar os acontecimentos que se terão desenrolado no período compreendido entre as 19H00 e as 22H40 do referido dia, a depoente refere que cerca das 19H00 ter-se-á deslocado juntamente com o casal PAYNE e respectivas crianças para o apartamento, a fim de as preparar para dormir.

Seguidamente, e como vinha sendo hábito, os adultos ter-se-ão preparado para o jantar. A este propósito, recorda que se terão atrasado neste preparativos, razão pela qual, lograriam chegar ao Restaurante tão somente por volta das 21H00.

Perguntado acrescenta que, para o referido restaurante, deslocou-se na companhia da sua filha e genro.

Perguntado directamente se alguém havia ido ao seu apartamento a fim de chamá-los (a si e ao casal PAYNE) para o jantar a depoente disse não.

Perguntado se existe a possibilidade de se ter cruzado com alguém durante o trajecto efectuado entre o seu apartamento e o restaurante, a depoente disse não.

Nessa noite julga ter chegado ao restaurante, perto das 21H00, na companhia do casal PAYNE.

Que, nessa altura, já se encontrava todo o grupo no restaurante. A testemunha não recorda, mas pensa que talvez o MATT e o GERALD não tivessem no restaurante juntamente com os restantes membros do grupo.

A este propósito, perguntada especificamente se, no trajecto efectuado para o Restaurante, se haviam cruzado com qualquer dos dois indivíduos referenciados no parágrafo que antecede, responde peremptoriamente que não.

Questionada acerca dos membros que, durante o jantar, ter-se-iam ausentado do restaurante, a depoente diz que, segundo recorda, houve algumas pessoas que saíram, não conseguindo identificar quais, excepto no que diz respeito ao RUSSEL, o qual terá abandonado o Restaurante e demorado um pouco mais de tempo do que era usual, na medida em que, segundo sabe, a sua filha estaria doente.

Perguntada refere que, seria habitual um dos membros de cada um dos casais levantar-se regularmente, a fim de averiguar nos respectivos apartamentos se os filhos se encontravam bem.

Esclarece que a prática instituída seria cada um dos casais verificar os respectivos filhos, não sendo usual alguém verificar os filhos de outros casais.

A pergunta feita, pensa que até a data dos factos nunca teria ocorrido uma situação do género de alguém entrar no apartamento de outrem a fim de controlar os respectivos descendentes.

Não obstante, parece que o casal PAYNE e a depoente, não efectuavam quaisquer deslocações aos apartamentos, na medida em que aquele casal possui um intercomunicador, designado por "baby monitor", através do qual são perceptíveis sons ou barulhos do local onde se encontram as crianças.

Instada a reportar para os autos as movimentações que teriam ocorrido nessa noite, no decurso do supra mencionado jantar, a depoente reitera não conseguir precisar especificamente quais as pessoas que se terão ausentado, nem os momentos em que o teriam feito.

Por conseguinte, apenas consegue precisar que, pelas 22H00 a KATE McCANN terá retomado ao restaurante, aparentando encontrar-se em pânico, comunicando aos restantes o facto do desaparecimento da MADELEINE.

Perguntada acerca da reacção dos restantes membros do grupo, aquando da comunicação proveniente da KATE e referida no parágrafo anterior, a depoente diz que todos, excepto a depoente, saíram do restaurante e deslocaram-se para o apartamento do casal McCANN, a fim de averiguarem o que se estaria a passar.

Nesta sequência, e relativamente a si, a depoente diz que permaneceu no restaurante cerca de cinco minutos, posto que, constatando que os restantes membros do grupo não haviam regressado, lograria seguir em direcção ao apartamento dos McCANN.

No referido apartamento constatou que a KATE estava completamente em pânico, em "estado de choque".

Porque perguntado refere ter entrado no supra referido apartamento pela porta, de vidro e de correr, do pátio existente nas traseiras do mesmo, a qual dá acesso à sala. Em seguida dirigiu-se ao quarto das crianças, constatando que ali se encontrava a KATE e os dois irmãos gémeos de MADELEINE.

Acrescenta não recordar grandes pormenores acerca do cenário que lograria encontrar no referido quarto, para além do que referência no parágrafo que antecede. Não obstante, refere estar certa de que a KATE teria comentado insistentemente que, ao chegar ao quarto, ter-se-ia deparado com a janela do quarto e com a respectiva persiana abertos. Ainda assim, refere não se ter apercebido, aquando da sua entrada, se a referida janela se encontrava ou não aberta.

Não obstante, deseja salientar que em momento imediatamente a seguir, se teria deslocado à parte exterior do apartamento, a fim de averiguar se seria capaz de levantar a persiana manualmente pelo lado de fora, tendo nessa altura constatado que tal lhe seria impossível. Por consequência infere que aquando da sua chegada ao apartamento a janela já estaria fechada.

Porque perguntado diz desconhecer se a janela, e a respectiva persiana, do quarto do casal McCANN estariam ou não abertas, na medida em que não chegou a entrar naquele aposento.

Instada acerca das condições de luminosidade no interior do apartamento dos McCANN nessa altura, a testemunha julga que as mesmas eram boas, imaginando que as luzes estariam acesas, na medida em que não recorda escuridão. No que respeita ao quarto anteriormente ocupado pela MADELEINE, não recorda se as luzes estariam acesas, mas sabe que, quando entrou no quarto os gémeos ainda estavam a dormir nas respectivas camas, o que a faz pensar que talvez essas luzes estivessem apagadas. Acrescenta que, como conseguiu ver os gémeos, e respectivos berços, bem como a cama da MADELETNE, a escuridão não seria total, mas que o aposento teria alguma claridade que segundo julga ser proveniente da luz da sala.

Acrescenta ainda que naquela noite, e após a ocorrência dos factos em investigação, ter estado no referido apartamento em duas ocasiões distintas. Na ocasião acima descrita terá permanecido cerca de 10 minutos no apartamento.

Após esse espaço temporal terá regressado ao restaurante, a fim de lá ir buscar a sua mala, bem como a máquina fotográfica do casal McCANN e o "baby monitor" da sua filha, tendo logo de seguida regressado novamente ao referido apartamento.

A pergunta feita acerca das pessoas que, nessa altura estariam no interior do apartamento dos McCANN, a depoente diz que estavam presentes o casal McCANN (excepto na primeira ocasião na qual não se recorda de ter visto o GERRY), a FIONA, não recordando outras pessoas que lá estivessem. Não obstante, admite a possibilidade de se encontrarem nessas alturas, no interior do apartamento, nomeadamente o DAVID, na medida em que, conforme acima referida, todos se haviam dirigido ao apartamento na sequência da noticia que a KATE havia transmitido.

A pergunta feita, refere saber que os membros do grupo do sexo masculino, empreenderiam uma busca em redor do apartamento, a fim de tentarem localizar a MADELEINE, a qual resultaria absolutamente infrutífera. Quanto a depoente refere que a FIONA ter-lhe-á solicitado que se deslocasse para junto das suas filhas, a fim de certificar que tudo estaria bem com ela, razão pela qual a depoente terá regressado ao seu apartamento de onde não mais lograria sair.

Perguntado esclarece não ter conhecimento de quaisquer tipos de problemas de ordem familiar, profissional, amorosa, etc, relativamente a qualquer um dos elementos do grupo, no nosso país ou em qualquer outra parte do mundo.

Desconhece se algum dos elementos do grupo tem alguém conhecido a residir em Portugal, nomeadamente no Algarve, ou alguém que aqui tenha vindo passar férias no mesmo período.

Instada diz que, durante as presentes férias, todos os elementos do grupo faziam as suas deslocações apeados, negando que algum deles tivesse alugado viaturas automóveis ou que eventualmente pudesse ter conduzido viaturas de terceiros, que lhes tivessem sido pontualmente disponibilizadas.

Acrescenta ainda que nenhum dos elementos do grupo saiu da aldeia da Praia da Luz.

Que durante esse período, e segundo julga, nenhum dos elementos do grupo terá travado qualquer tipo de conhecimento ou relacionamento com outras pessoas.

Indagada esclarece que, na totalidade dos jantares ocorridos durante as férias, só participavam os elementos do grupo, nunca se lhes tendo juntado quaisquer estranhos na mesa que habitualmente ocupavam.

Perguntado diz que, nos dias que antecederam ao desaparecimento da MADELEINE, ou em qualquer outra altura, não visualizou ou verificou qualquer tipo de situação anómala que pudesse ser por si interpretada como tendo alguma correspondência com os factos em investigação.

E mais não disse. Lido e traduzido o presente auto o achou conforme, ratifica e vai, juntamente com o Senhor Intérprete, assinar.

Para constar se lavrou o presente auto que vai ser assinado.


Dianne Webster Statement English Translation here


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