28 October 2009

Testemunho Matthew Oldfield – 10 Maio 2007


PROCESSO 201/07.0GALGS - páginas 905 a 917, Volume IV
AUTO DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA


Data da diligência: 2007/05/10 Hora: 16H00 Local: DIC Portimão

Funcionário que executa: P**** V****** e P******* D*****, Inspectores

Nome: MATTHEW DAVID OLDFIELD (já devidamente identificado nos autos)

Informado sobre as relações familiares ou equiparadas com o arguido enunciadas no artº 134, nº1 do C.P.P., e da faculdade que lhe pode, por isso, assistir, disse que não se verifica nenhuma dessas relações.
Passa a prestar depoimento.

À matéria dos autos disse:

Que vem aos autos na qualidade de testemunha, e que o faz de livre e espontânea vontade.

A pergunta feita, referiu não dominar a Língua Portuguesa nas suas vertentes escrita e falada, razão pela qual vais ser assistido no presente auto pela intérprete de Língua Inglesa, S***** C******* M****** V******, residente na ***, e contactável através do numero *********.

Relativamente aos factos em investigação nos presentes autos, o depoente refere ter conhecido os elementos que integram os três casais que o terão acompanhado nesta viagem a Portugal há vários anos a esta parte, em razão de terem trabalho todos na mesma cidade - no caso, a cidade de Leicester, sita no centro de Inglaterra.

Ainda assim, deseja salientar que os casais com os quais possui uma relação de maior proximidade serão os casais RUSSEL O'BRIEN e JANE TANNER e DAVID PAYNE e FIONA PAYNE.

No que respeita ao casal McCANN (composto por GERALD McCANN e KATE HEALY), o depoente esclarece que os terá conhecido tão somente há cerca de quatro anos a esta parte, por ocasião do casamento de DAVID e FIONA PAYNE, o qual terá tido lugar no verão de 2003, em Itália.

Não obstante, refere ter conhecimento de que os McCANN já se relacionariam com os dois restantes casais há alguns anos há aquela parte, a ponto de terem efectuado anteriormente algumas viagens de férias, juntamente com o casal PAYNE.

Refere que, em razão da relação de amizade para com os dois primeiros casais, terá efectuado uma viagem de férias a Grécia, a qual terá perdurado por um período de uma semana, a imagem do que haviam previsto para a sua actual estadia em Portugal.

Indagado, esclareceu que, à imagem do que acontecera na presente ocasião, todos os casais ter-se-ão feito acompanhar pelos respectivos descendentes.

Porque perguntado, refere que o casal McCANN não terá participado na viagem à qual acaba de se reportar, efectuada no ano passado à Grécia, alegando desconhecer se nessa altura se terá colocado a possibilidade de os mesmos integrarem o grupo de excursionistas.

Por conseguinte, esclarece nunca ter efectuado qualquer viagem na qual eventualmente tivesse participado o casal McCANN, para além da presente deslocação ao nosso país.

A propósito da viagem em curso, e segundo julga saber, os McCANN terão participado na mesma a convite do casal PAYNE.

Esclarece que o DAVID ter-se-á encarregue pessoalmente de providenciar pela sua organização, à imagem do que julga ter acontecido em relação à supra mencionada viagem efectuada à Grécia no ano transacto.

Deste modo, terá sido este último indivíduo a escolher o nosso país como destino turístico, acrescentando que, atendendo às condições climatéricas pretendidas e ao período temporal ao qual se reportariam as férias em apreço, a operadora "MARK WARNER" lhes teria apenas disponibilizado como destino final a Praia da Luz.

Nessa altura, DAVID terá contactado a operadora turística "MARK WARNER", a fim de proceder à compra dos pacotes turísticos e a reserva das respectivas viagens.

Indagado, refere que o DAVID terá assumido pessoalmente o pagamento das despesas relacionadas com a reserva dos pacotes das restantes famílias, as quais lograriam restituir-lhe posteriormente os montantes correspondentes a cada uma delas.

Deste modo, refere terem chegado a Portugal no pretérito dia 28 de Maio, acrescentando que todos teriam alojamento reservado no "OCEAN CLUB GARDEN" até dia 05 de Maio - data para a qual teriam aprazado o regresso a Inglaterra.

Indagado acerca dos motivos pelos quais lograriam escolher a operadora "MARK WARNER”, explica que é usual esta operadora trabalhar com complexos turísticos que possuem alguns requisitos exigidos pela família do depoente e pelas restantes que integram o grupo, a saber: existência actividades desportivas monitorizadas (em particular, relacionadas com a prática de ténis e de desportos aquáticos), actividades para crianças, e ainda, existência de restaurantes no interior dos empreendimentos, de forma a que pudessem aceder aos mesmos sem necessidade de recurso a quaisquer meios de transporte.

De resto, refere que os casais dariam preferência a empreendimentos que disponibilizassem serviço de "baby-listening".

Instalado a definir o serviço "baby-listening" esclarece que esse serviço se resume a uma vigilância, do género "ronda" no exterior do apartamento, no decurso da qual alguém se limita a verificar a existência de ruídos provenientes do local onde as crianças se encontram a dormir e, caso isso aconteça, a alertar os respectivos progenitores para a situação. Este serviço não inclui a vigilância permanente e junto da criança.

Ainda assim, deseja esclarecer que, aquando da realização das supra citadas reservas, a operadora supra mencionada tê-los-á informado da inexistência de serviço de "baby listening" no "OCEAN CLUB GARDEN".

Tal facto terá deixado alguns dos casais - e em particular o ora depoente - relutantes em relação a possibilidade de viajarem para Portugal, em razão de todos os casais possuírem filhos menores.

No que a este particular diz respeito, deseja nesta altura acrescentar que, em conversa com DAVID PAYNE, que terá ocorrido em data que não recorda com precisão, mas que reporta aos pretéritos dias 07 ou 08 do corrente mês, este último ter-lhe-á confidenciado que, nessa altura, KATE HEALY ter-se-ia manifestado particularmente relutante quanto a vinda a Portugal, porquanto lhe teria acercado um mau pressentimento, relacionado com as crianças que acompanhavam o grupo e com a inexistência do supra mencionado "baby-listening".

Ainda assim, refere que, na sequência do facto de terem trocado impressões acerca deste problema, resolveram efectuar a viagem que em tais termos haviam previsto, desde que a operadora lhes assegurasse alojamentos em locais bastante próximos, de forma a que, em conjunto, conseguissem assegurar a vigilância e acompanhamento dos respectivos descendentes.

Por consequência, o DAVID ter-se-á encarregue de negociar junto da operadora a realização de reservas de alojamento em outros tantos apartamentos situados em locais próximos uns dos outros. Não obstante, e porque perguntado, acrescenta que, a saída de Inglaterra, desconheciam os apartamentos exactos nos quais viriam a ficar alojados.

Ainda assim, refere que o DAVID terá solicitado a operadora que providenciasse no sentido de que fossem instalados em locais próximos uns dos outros, em razão de se tratar de uma viagem de grupo e de pretenderem assegurar dessa forma o controlo e acompanhamento conjuntos dos filhos de cada um dos casais.

Não obstante, admite que apenas lhes foram comunicados os respectivos apartamentos à chegada a Portugal.

Acerca das condições inerentes ao plano de viagem subscrito pelos casais, o depoente esclareceu que teriam adquirido pacotes do género "meia-pensão" - isto é, com as despesas de voo, transferes, alojamento, pequeno-almoço e jantar incluídos.

Nesse sentido, refere que todos os membros do grupo ingeriam as refeições mencionadas no parágrafo que antecede em restaurantes do grupo "OCEAN CLUB", nos seguintes termos: o pequeno-almoço teria lugar no restaurante "MILLENIUM", que se situa ligeiramente afastado do bloco residencial no qual se encontravam alojados (perto da "rua principal, a caminho de lagos, a cerca de 10 minutos a pé"), ao passo que o jantar teria lugar no restaurante "TAPAS", sito junto a piscina do mesmo bloco residencial.

A única excepção a esta regra seria protagonizada pela família McCANN, a qual ingeria a primeira refeição do dia no respectivo apartamento, julgando o depoente que tal se ficasse a dever ao facto de terem três filhos de tenra idade e a distância existente entre este e o restaurante "MILLENIUM". Ainda assim, deseja salientar que, na noite do pretérito dia 28 de Maio, o grupo terá jantado no "MILLENIUM", uma vez que o "TAPAS" encontrar-se-ia encerrado.

A parte deste episódio, refere que, nos restantes dias, terão jantado sempre no "TAPAS".

No que diz respeito ao almoço, refere que os casais costumavam ingeri-lo em grupo num dos apartamentos dos quatro casais, acrescentando que o faziam normalmente no apartamento do DAVID e da FIONA PAYNE, por este ser o de maiores dimensões.

Instado acerca das reservas/ marcações de jantar efectuadas no Restaurante "TAPAS", refere que a primeira vez que procederam a sua reserva foi no Domingo, desconhecendo contudo quem a terá feito. Perguntado se teria sido o RUSSEL a efectuar a referida reserva, a testemunha admite isso como possível, reiterando no entanto desconhecer com precisão quem a teria feito.

Relativamente aos restantes dias, esclarece que, na segunda-feira, a sua esposa empreenderia tal reserva, acrescentando ainda que esta o teria feito para a totalidade dos restantes dias, à excepção de sexta-feira, dia 04 de Maio, na medida em que nessa noite iria realizar-se um jantar adstrito ao Clube de Ténis.

Esclarece que a referida reserva foi feita para nove pessoas, e para as 20H30.

Instado a identificar os apartamentos nos quais haviam ficado instalados os quatro casais, o depoente referiria que o casal McCANN teria ficado no apartamento 5 A, o depoente, esposa e filha, de nome G****, no 5 B, o casal O'BRIEN (RUSSEL e JANE) no 5 D, e o casal PAYNE no 5 H.

Quanto a sua disposição relativa no edifício residencial Bloco G, refere que os três primeiros ficariam situados no rés-do-chão, ao passo que o último ficaria no primeiro andar; acrescenta que o apartamento dos McCANN situar-se-ia a extrema esquerda de quem acede aquele bloco pela entrada principal, e paredes meias com o seu próprio apartamento; o apartamento dos O'BRIEN ficaria situado em frente a entrada principal, por detrás da escadaria através da qual se acede aos pisos superiores; e, finalmente, o apartamento dos PAYNE ficaria no piso superior, imediatamente acima do apartamento dos O'BRIEN.

Indagado acerca do critério que teria presidido à distribuição dos casais pelos quatro apartamentos nos termos do que descreve no parágrafo que antecede, refere que a empresa "MARK WARNER" se haviam encarregado de assegurar antecipadamente a distribuição dos casais pelos apartamentos em apreço.

Por esse motivo, desconhece a natureza desse critério, tanto mais que, à imagem dos restantes, apenas tomou conhecimento do apartamento que lhe estava destinado aquando da chegada ao empreendimento supra identificado - altura na qual terão sido entregues aos diferentes casais as chaves dos apartamentos correspondentes, em número de um exemplar por casal (a este propósito, refere tratar-se de uma chave em material metálico, e não do tipo cartão de acesso).

Ainda assim, refere ter conhecimento de que, no seu caso particular, ter-lhe-á sido atribuído o apartamento 5 B em virtude de se tratar do imóvel mais pequeno (com apenas um quarto), em virtude de apenas possuir uma filha menor.

Relativamente à rotina empreendida pelos quatro casais ao longo do período que antecedeu o desaparecimento de MADELENE McCANN, refere que se dedicavam todos, numa forma geral, à prática de modalidades desportivas.

No seu caso particular, refere que se terá dedicado prioritariamente a prática de desportos náuticos (tais como a VELA) e ainda, à prática de Ténis.

Relativamente aos restantes, refere que se dedicavam de igualmente a prática de vários desportos, salientando que os McCANN nunca se haviam disposto à prática de desportos náuticos.

A este propósito, refere que, em data que não recorda com precisão, mas que reporta a um dia da semana passada, no decurso do qual teria chovido na Praia da Luz (julgando tratar-se do pretérito dia 02 de Maio, véspera do desaparecimento de MADELEINE McCANN) ter-se-ia disposto a efectuar, durante cerca de 40 minutos, um percurso de corrida pelas ruas que circundam o empreendimento no qual estariam instalados, juntamente com a mãe de MADELEINE, KATE HEALY.

Indagado sobre se alguma vez se teria ausentado da Praia da Luz, responderia negativamente, referindo que, tal como os restantes companheiros de grupo, não se teria disposto fazê-lo porquanto não teria meio de transporte à disposição que lhe permitisse encetar quaisquer deslocações.

Por conseguinte, e a pergunta feita, refere que nenhum dos casais possuía viatura automóvel alugada.

De resto, nega ainda a possibilidade de quaisquer dos elementos que integravam aquele grupo ter conduzido episodicamente alguma viatura automóvel que eventualmente lhes pudesse ter sido facultada por terceiros, uma vez que, nenhum deles teria quaisquer amigos ou conhecidos a residir ou a passar férias nas imediações, que eventualmente lhas pudessem ter disponibilizado.

Instado a proceder à reconstituição temporal dos factos vivenciados no pretérito dia 03 de Maio, data do desaparecimento da menor MADELEINE McCANN, o depoente fá-la-ia nos seguintes termos:

- terá acordado cerca das 06H30 e as 07H00, indo tomar o pequeno-almoço ao Restaurante "Milénio" pelas 08H00. Terá tomado o pequeno-almoço com a sua mulher e filha. Não recorda quem se lhes terá juntado. Sabe que o GERALD, a KATE e os respectivos filhos não tomaram lá o pequeno-almoço, na medida em que sempre tomaram esta refeição no seu apartamento.
Relativamente aos restantes elementos do grupo, não consegue lembrar quem esteve no Restaurante "Milénio" naquela manhã. Tem a certeza de que não foi acompanhado por todo o grupo, uma vez que não se fazia acompanhar sempre pelas mesmas pessoas, aquando desta refeição -julgando que apenas estaria presente o DAVID ou o RUSSEL e os respectivos filhos.

Acrescenta que, à medida em que os dias foram passando, eram cada vez menos os elementos do grupo que lá iam tomar o pequeno almoço, optando por tomá-lo nos respectivos apartamentos, em razão da distância que medeia aquele restaurante e o bloco residencial no qual se encontra instalado.

Após tomar o pequeno-almoço, dirigiu-se apeado para a Praia, onde terá chegado cerca das 09H30, a fim de praticar Vela. Sabe que nessa manhã também lá estavam o DAVID e a FIONA, não recordando contudo se para ali se teria deslocado na companhia de quaisquer destes indivíduos, ou se estes já lá se encontravam aquando da sua chegada. Esteve a praticar vela até cerca das 11H00. Por esse motivo terá chegado tarde à aula de ténis que tinha agendada no empreendimento turístico para as 11 H00. Que terá tido a aula juntamente com a sua mulher.

Cerca das 12H10 foi, na companhia da sua mulher, buscar a sua filha ao kids-clubs.

Seguidamente dirigiram-se os três para o apartamento do casal PAYNE, a fim de ali almoçarem.

Esclarece que almoçou ali com o casal PAYNE e respectivos filhos e sogra, com o RUSSEL e a JANE. Não recorda se lá estariam a KATE e o GERALD.

Posteriormente, em momento que situa entre as 13H30 e as 14H00, o depoente e a sua família foram para o seu apartamento, tendo colocado a filha de ambos a dormir, posto o que ali lograriam permanecer até cerca das 14H15/14H30 - altura na qual decidiu ir procurar o RUSSEL, razão pela qual se teria dirigido ao respectivo apartamento, a fim de o chamar para irem ambos praticar vela.

Após a prática do referido desporto (ou seja, em momento que situa entre as 15:30 horas e as 15:45 horas), foram ambos para a Praia, onde lograriam encontrar-se com os restantes elementos do grupo (incluindo as respectivas crianças), logrando permanecer ali até cerca das 17H00. Esclarece que o GERALD, a KATE e os respectivos filhos não estavam na praia.

Após saírem da praia, deslocaram-se para um restaurante sito na praia, no qual lograriam jantar as crianças, enquanto os adultos se limitaram a beber umas bebidas.

Cerca das 18H10, o depoente, o RUSSEL e o DAVID, foram a uma partida social de ténis, que teria lugar no empreendimento supra indicado, reservada aos elementos do sexo masculino, na qual lograriam permanecer até cerca das 19H00. Esclarece que quando chegaram à referida reunião, o GERALD já se encontrava na referida partida social, sendo que a KATE e respectivas crianças se encontravam a observar aquela partida, juntando-se-lhes posteriormente as restantes mulheres e crianças do grupo.

Às 19H00 o depoente, o RUSSEL e o DAVID terminaram a referida partida, tendo-se seguidamente dirigido para os respectivos apartamentos, nos quais já se encontravam os restantes membros do grupo.

O depoente referiu ter permanecido no seu apartamento até as 19H45, altura na qual, juntamente com a sua mulher, ter-se-á dirigido para o Restaurante "TAPAS", onde já se encontravam o GERALD, a KATE e, segundo lhe foi dito posteriormente, a JANE. Depois de si, cerca das 20H50, terá chegado àquele Restaurante o RUSSELL.

O depoente acrescenta que, como o DAVID, a FIONA e a DIANE ainda não estavam presentes – e em função de ter vislumbrado do restaurante as luzes do respectivo apartamento - resolveu ir ter com eles, esclarecendo que não chegou efectivamente ao referido apartamento, na medida em que o casal já seguia em direcção ao restaurante. Esclarece que os encontrou nas imediações do bloco habitacional, junto a esquina mais próxima da porta da entrada principal do apartamento ocupado pelos McCANN.

Aproveitando o facto de se encontrar próximo do bloco residencial, acrescenta que, por auto iniciativa, terá ido fazer uma "verificação auditiva" junto do quarto da MADELEINE e dos gémeos, ao que julga, pelas 21:O5 horas. Que se limitou a aproximar-se junto a janela do quarto, na parte exterior do apartamento, para verificar se as crianças estavam a chorar ou acordadas.

Acrescenta não ter ouvido nenhum barulho, nem ter percepcionado nada de anormal. Em tais termos, lograria igualmente verificar as janelas dos quartos onde dormiam a sua filha e as filhas do RUSSEL.

Após essa verificação, e passados cerca de 5/10 segundos, regressou ao restaurante constatando que todos os restantes membros do grupo já ali se encontravam. Seguidamente procederam ao pedido do jantar e acto seguido o GERALD dirigiu-se ao seu apartamento para verificar os seus filhos.

Perguntado se, nesse instante, a JANE também se teria dirigido ao respectivo apartamento, o depoente diz não se recordar, acrescentando que, a ter acontecido, tê-lo-iam feito ao mesmo tempo, na companhia um do outro.

Por outro lado, refere não conseguir precisar qual dos dois teria regressado em primeiro lugar.

Ainda assim, deseja acrescentar que não tem ideia de que alguém tenha eventualmente mencionado a possibilidade de ambos terem estado juntos.

Perguntado porque teria o GERALD ido ao apartamento nessa altura, se o depoente lá tinha estado poucos minutos antes, refere que o GERALD pode não ter ouvido o depoente dizer que estava tudo bem, acrescentando ainda que o mesmo não verificara pessoalmente os respectivos filhos há bastante tempo.

Indagado se teria sido instituído algum acordo relativamente a verificação dos filhos de todos os casais, diz que era prática comum levantar-se um membro de cada casal de quinze em quinze minutos, a fim de cada um ir verificar os respectivos filhos.

Alguns minutos mais tarde, ou seja, pelas 21:25 horas, o depoente deslocou-se ao seu apartamento a fim de executar nova verificação, tendo-o feito juntamente com o RUSSEL, que pretendia fazê-lo igualmente em relação às suas duas filhas, E*** e E***.

Nessa altura, ter-se-á disponibilizado para efectuar a verificação ao quarto da MADELEINE.

Questionado acerca dos motivos pelos quais tal se teria verificado, indo contra o procedimento que se encontrava assimilado - ou seja, porque razão teriam ido duas pessoas fazer a verificação de três apartamentos (no caso, a testemunha e o RUSSELL, a fim de verificarem os respectivos apartamentos e o do GERALD), o depoente explica que ambos terão sugerido a KATE que
permanecesse no restaurante, assumindo a responsabilidade de verificarem os respectivos filhos.

Não obstante, e a pergunta feita, refere não conseguir precisar se a sugestão terá partido do ora depoente ou do próprio RUSSEL, acrescentando não conseguir esclarecer porque razão o teriam feito, mas, no caso de ter sido o depoente a fazer tal sugestão isso deveu-se ao facto de, passados esses dias de férias juntos, já ter mais intimidade com o casal para entrar no seu apartamento.

Que, nessa ocasião, RUSSEL e o ora depoente dirigiram-se ás respectivas residências, a fim de verificarem as respectivas filhas. Após sair do seu apartamento, foi ao apartamento do RUSSELL, o qual, optou por ali ficar a acalmar a sua filha que estava a chorar, o que fez com que o depoente se tivesse dirigido sozinho ao apartamento dos McCANN. Esclarece que a filha do RUSSEL estaria doente, com vómitos.

Para o efeito, efectuou o percurso mais próximo entre o apartamento do RUSSEL e o portão lateral de entrada ao pátio traseiro da residência dos McCANN, na qual lograria aceder pela porta envidraçada e de correr que dá acesso à sala do apartamento. A porta estava fechada, mas não trancada, como a KATE disse que estaria.

Que não chegou a entrar no quarto onde dormia a MADELEINE e os irmãos. Recorda que a porta do referido quarto estava aberta até meio, perfazendo um ângulo de 50 graus. Não sabe a que distância terá ficado da porta do referido quarto. Recorda ter-se apercebido que as cortinas da janela - de cor verde - estariam fechadas, mas não consegue precisar se a janela estava fechada ou aberta. Relativamente a persiana esclarece que não viu se a mesma estava fechada ou aberta. Recorda ter considerado que naquele quarto havia mais claridade do que no quarto da sua filha (onde os estores estão sempre totalmente fechados), acrescentando ter ficado com a sensação que essa luz seria proveniente do exterior - sendo de salientar que ambos ficam voltados para a mesma direcção.

Por consequência, admite a possibilidade de a luz que lograra percepcionar se tivesse ficado a dever ao facto de a persiana se encontrar subida, negando contudo ser capaz de avaliar a que a altura a mesma pudesse estar.

A pergunta feita, referiu estar certo de que, aquando da sua primeira deslocação as imediações do quarto de MADELEINE, que se reporta às 21:O5 horas, no decurso da qual lograria aproximar-se da janela daquele quarto pelo exterior, a fim de efectuar uma verificação auditiva, a persiana encontrar-se-ia, segunda julga, integralmente fechada.

Por consequência, refere estar convencido de que, aquando da segunda verificação, a persiana se encontraria mais aberta do que na primeira ocasião, uma vez que considera que a luz que lograria vislumbrar no interior do quarto de MADELEINE, indubitavelmente proveniente do exterior, não poderia trespassá-la caso se encontrasse integralmente fechada.

Em seguida, convencido de que tudo se encontrava dentro da normalidade, uma vez que não percepcionaria quaisquer ruídos que lhe permitissem pensar o contrário, e ainda, em razão de, segundo julga, ter conseguido vislumbrar os dois irmãos gémeos de MADELEINE no interior dos respectivos berços, o depoente regressou ao restaurante, a fim de jantar.

Perguntado esclarece não ter visto a MADELEINE deitada na cama do referido quarto, porque do local no qual se encontrava, aquando da verificação, não tinha visibilidade para a cama daquela.

A pergunta feita, refere que julga ter regressado ao "TAPAS" entre as 21:25 e as 21:30 horas, comunicando aos restantes parceiros de grupo que tudo se encontrava dentro da normalidade no bloco residencial.

A pergunta feita, esclarece não ter comunicado aos pais da MADELEINE os factos de ter encontrado a porta do quarto aberta até meio, perfazendo a tal abertura de cerca de 50 graus, e de se ter apercebido da existência da supra referenciada luminosidade no seu interior, referiria não o ter feito porquanto não lhes teria atribuído qualquer relevância.

Indagado, refere que, nessa altura, reunir-se-iam a mesa do restaurante todos os seus parceiros de viagem, a excepção do RUSSEL, que permanecera no respectivo apartamento, em razão da indisposição de que padecera a sua filha.

A pergunta feita, refere que, em razão de integrarem um grupo bastante numeroso, composto por nove adultos (os quatro casais e a mãe de FIONA PAYNE), o depoente e restantes convivas ocupavam sempre a mesma mesa, na medida em que se tratava da única capaz de comportar tal número de pessoas.

Indagado, refere que, do local no qual aquela mesa se encontraria posicionada, o grupo teria visibilidade sobre os apartamentos que os mesmos viriam ocupando.

Ainda assim, admite que se trataria de uma visibilidade bastante ténue, atendendo a distância a que se encontrariam dos referidos apartamentos (que avalia em cerca de 50 a 100 metros), e ainda, em razão da visão se encontrar prejudicada por um oleado transparente que cobria a área na qual as mesas se encontravam inseridas.

Por conseguinte, admite ser possível que alguém se introduzisse nos apartamentos do rés-do-chão sem que os mesmos se apercebessem, através dos pátios que se encontram viradas para as traseiras do bloco residencial.

Ainda assim, refere não se ter apercebido de quaisquer movimentações nas traseiras do apartamento dos McCANN, no período que lograria seguir-se a última das verificações que encetara.

Por conseguinte, terá sido com enorme surpresa que lograria recepcionar a notícia do desaparecimento da menor MADELENE McCANN.

A este propósito, esclarece que a mesma terá sido transmitida a todos os convivas que em tais termos se encontravam no restaurante "TAPAS" pela KATE, na sequência do facto desta se ter deslocado pessoalmente ao seu apartamento, a fim de se certificar de que os seus filhos se encontravam bem.

A pergunta feita, refere que esta se teria ali deslocado sozinha para esse efeito, em momento que situa pelas 21:50 horas.

Constatando tal desaparecimento, KATE regressaria em pânico ao restaurante no qual o depoente se encontrava, a fim de comunicar esse facto ao seu marido GERALD.

A pergunta feita, refere estar convencido de que, aquando de tal comunicação, encontrar-se-iam no restaurante todos os restantes elementos do grupo - razão pela qual supõe que entretanto se lhes juntara o próprio RUSSEL.

Ante tal noticia, todos os membros do grupo precipitaram-se para o apartamento do GERALD, no qual lograriam aceder através da respectiva entrada traseira - ou seja, pela porta envidraçada de correr, que se encontra virada para a piscina.

Perguntado, refere que, aquando desta nova entrada no apartamento dos McCANN, segundo recorda, não se terá chegado a aproximar do quarto da MADELEINE McCANN, razão pela qual não consegue avançar com quaisquer pormenores acerca do estado no qual o mesmo se encontrava. Indagado, o depoente nega que alguma vez se tenha apercebido de quaisquer movimentações suspeitas empreendidas por desconhecidos (ou até por indivíduos do grupo) à data dos factos ou nos dias que a antecederam.

Do mesmo modo, refere nunca se ter apercebido de movimentações suspeitas empreendidas por quaisquer viaturas automóveis nas proximidades do empreendimento no qual lograriam ficar alojados.

A este propósito, refere nunca se ter apercebido da presença de um veiculo automóvel ligeiro de mercadorias de cor azul, nas imediações do supra citado "OCEAN CLUB GARDEN".

Em relação a situação em apreço, refere desconhecer em absoluto os contornos que a teriam rodeado, e bem assim, as motivações que poderiam ter estado na sua origem.

Da mesma forma, desconhece em absoluto a eventual existência de problemas de ordem conjugal, profissional ou outra, que eventualmente pudessem ter levado alguém a empreender a subtracção daquela menor.

A pergunta feita, reitera que, ao longo da estadia do grupo na Praia da Luz, terão jantado sempre no "TAPAS", a excepção da primeira noite, na qual lograriam fazê-lo no "MILLENIUM".

Por outro lado refere que apenas fariam parte da mesa junto a qual se reuniam para jantar os supra identificados adultos que integravam o seu grupo.

A este propósito, nega que alguma vez tivessem feito parte daquela mesa quaisquer indivíduos de apelido IRWIN, refutando igualmente que tivesse travado conhecimento com alguém que fosse conhecido pelo mesmo apelido.

A pergunta feita, refere que a primeira vez que entrou no apartamento dos McCANN terá ocorrido precisamente na noite do seu desaparecimento (isto é, do pretérito dia 03 de Maio), e na segunda das verificações acima reportadas - ou seja, pelas 21:25 horas.

Por outro lado, salienta que ter-se-á deslocado apeado em todas as deslocações que fez para o exterior do empreendimento turístico supra identificado, à imagem dos restantes elementos do grupo.

A pergunta feita diz que não houve qualquer alteração relacionada com o seu sono. Não recorda episódios de sonolência, nem de "sono mais pesado".

Questionado acerca de outras alterações relacionadas com o seu estado de saúde - ou da sua família - recorda que os três tiveram problemas intestinais: o depoente no dia 28 de Abril; segundo recorda, a sua mulher no dia 30 de Abril ou no dia 1 de Maio e a sua filha, no dia 7 de Maio passados.

Relativamente aos restantes membros do grupo, desconhece se houve alterações ao nível da sua saúde.

Instado acerca de relações de amizade, ou outras, do depoente ou dos outros elementos do grupo, com pessoas residentes em Portugal, a testemunha diz não conhecer ninguém neste país e julgar que o mesmo sucede em relação aos restantes companheiros de férias.

Também não conhecia outras pessoas que cá estivessem de férias. Julga que o mesmo sucede relativamente ao resto dos elementos do grupo.

Indagado acerca da ingestão de bebidas alcoólicas por parte dos membros deste grupo, o depoente admite que todos os seus membros o fariam (incluindo o próprio inquirido), logrando ainda admitir que ambos o fariam em quantidades inusitadamente elevadas, em virtude de se encontrarem em pleno gozo de férias.

Ainda assim refere que o facto reportado no parágrafo que antecede não lhes retirava quaisquer capacidades cognitivas, acrescentando, a título de exemplo, que os mesmos poderiam eventualmente consumir cerca de seis garrafas de vinho.

A pergunta feita, refere que esta terá sido a segunda vez em que se terá deslocado ao nosso país, sendo certo que a primeira vez ocorreu no ano de 1999, altura em que esteve somente uma noite em Lisboa.

No que respeita aos restantes elementos do grupo, apenas sabe que a JANE se teria deslocado várias vezes ao nosso país em anteriores ocasiões, ao que julga por motivos profissionais, acrescentando ainda que a mesma teria igualmente visitado o nosso país em férias, juntamente com o seu companheiro RUSSEL.

Instado a revelar quaisquer nóveis elementos que eventualmente pudessem contribuir para o esclarecimento dos factos presentemente investigados, o depoente revelar-se-ia incapaz de o fazer, alegando total desconhecimento de outras circunstâncias que eventualmente o pudessem ter rodeado, para além daquela que acima resultam reportadas.

A pergunta feita, refere que, durante a sua estadia em Portugal, tem vindo a utilizar o mesmo telefone móvel que utilizava em Inglaterra, ao qual se encontra associado o cartão com o número 004477********.

A pergunta feita, refere que utiliza este número desde 2002.

Instado a definir o que entende por "verificação auditiva", esclareceria que se trata de uma verificação no decurso da qual não estabelece contacto visual com as crianças - limitando-se a aferir da existência de ruídos que indiciem quaisquer problemas com as mesmas.

E mais não disse. Lido e devidamente traduzido o presente auto, o achou conforme, ratifica e vai assinar juntamente com a intérprete.

Para constar se lavrou o presente auto que vai ser assinado.



Matthew David Oldfield Statement English Translation here


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