27 October 2009

Testemunho Matthew Oldfield – 4 Maio 2007


PROCESSO 201/07.0GALGS - páginas 52 a 57, Volume I
AUTO DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHA


Data da diligência: 2007/05/04 Hora: 11H30 Local: DIC Portimão

Funcionário que executa: P******* D*****, Inspectora

Nome: Matthew David Oldfield
Filiação: David Medley Oldfield e Pamela Mary Oldfield
Natural Freguesia: Leeds
Concelho: Inglaterra
Nacionalidade: Britânica
Data de nascimento: 1969/01/04
Residência: ****** - London - ******
Telefone: 004420*******
Estado Civil: Casado
Profissão: Médico
Local trabalho: Kingston Hospital, Kingston Upon Thames, London KT2 7QB
Telefone: 004420********
Passaporte n.********
Emitido em 1998/12/14 pelo United Kingdom

Informado sobre as relações familiares ou equiparadas com o arguido enunciadas no artº 134, nº1 do C.P.P., e da faculdade que lhe pode, por isso, assistir, disse que não se verifica nenhuma dessas relações.
Passa a prestar depoimento.

À matéria dos autos disse:

Que é de sua livre e espontânea vontade que presta declarações no âmbito dos presentes autos.

Que encontra-se a passar férias em Portugal desde o passado dia 28 de Abril de 2007, estando alojado no Ocean Club - Waterside Garden, na Praia da Luz, em Lagos. Que prevê regressar a Inglaterra no próximo dia 5 de Maio de 2007 (Sábado).

Que conhece os pais da MADELEINE há cerca de cinco anos a esta parte. Que a mesma completa os seus quatro anos na próxima semana.

Que veio passar férias juntamente com a MADELEINE e os seus pais. Que vieram todos em grupo, sendo certo que o mesmo é composto por nove adultos e oito crianças. Os adultos são Diane, David e Fiona (filhos: S******* e L****), Russell e Jane (filhos: E*** e E***), Rachael (filha: G****) - mulher e filha do ora depoente, Gerry e Kate (filhos: A****, S*** - gémeos com cerca de dois anos – e MADELEINE).

Que a ideia de virem passar férias para Portugal foi do casal DAVID e FIONA, sendo certo que foram também eles quem reservou o Hotel, o que terá ocorrido há cerca de quatro ou cinco meses a esta parte.

Que, desde que chegaram a Portugal, até à noite de ontem, os dias tiveram uma rotina diária muito similar. De manhã todo o grupo, acordava entre as 06H30 e as 08H00, e deslocavam-se a pé ao Restaurante Milénio, a cerca de 10 minutos do complexo turístico. Que, os pais da MADELEINE, a MADELEINE e os seus dois irmãos, eram os únicos que tomavam o pequeno almoço no seu apartamento. Que estes tomavam o pequeno almoço no quarto devido ao facto de terem três crianças ainda pequenas para alimentar.

Que após o pequeno almoço, as crianças eram deixadas nos mini-clubes do complexo desportivo. A MADELEINE e a E*** ficavam num mini-clube para a sua idade, e as restantes crianças ficavam noutro para crianças mais novas. Os adultos dedicavam-se a alguns desportos, no interior do complexo turístico. Á hora do almoço era costume juntarem-se todos num dos apartamentos ocupados pelos grupo para aí almoçarem juntamente com as crianças. Durante a tarde as crianças dormiam a sesta nos respectivos quartos e os adultos continuavam as actividades desportivas dentro do complexo. Durante esse tempo de descanso havia sempre um adulto que ficava a vigiá-las. Após acordarem, as crianças regressavam aos respectivos mini-clubes. Que, cerca das 16H45 as crianças jantavam no Restaurante "Tapas", no interior do complexo Turístico. Após o jantar as crianças ainda iam para uma zona de baloiços no Complexo Turístico, sendo certo que os adultos ficavam perto delas. Cerca das 20H00 as crianças iam dormir, e os adultos, cerca das 20H30 iam jantar para o já referido Restaurante "Tapas". Que, enquanto jantavam as crianças ficavam a dormir nos respectivos apartamentos sem vigilância permanente dos adultos. Acrescenta que, como o Restaurante é a cerca de 1 minuto do quarto, um dos adultos, aleatoriamente, ia frequentemente ver as crianças aos quartos.

Que, no âmbito das actividades do mini-clube, a MADELEINE terá ido A praia, juntamente com as funcionárias, desconhecendo quantas vezes isso terá ocorrido. As restantes actividades eram no interior do complexo turístico.

Que o apartamento ocupado pelos pais da MADELEINE e seus filhos era imediatamente antes do seu.

Que, o dia de ontem foi idêntico aos anteriores, e que, como todas as noites anteriores, cerca das 20H45, o depoente e a sua esposa, deixaram a sua filha a dormir no apartamento e dirigiram-se para o Restaurante "TAPAS". Que no Restaurante já se encontrava o casal Gerry e Kate - pais da MADELEINE - os quais teriam chegado ao restaurante cerca de 5 minutos antes. Cerca de 5 minutos após o depoente e a sua mulher terem chegado ao Restaurante, chegaram os restantes adultos. Que os últimos a chegar ao Restaurante foi o casal DAVID e FIONA. Que estes terão chegado ao Restaurante cerca das 21H00. Que, cerca das 21HO5, o depoente dirigiu-se a zona dos apartamentos, nomeadamente a área junto às janelas dos quartos de todas as crianças, não tendo escutado qualquer barulho, julgando que estariam todos a dormir. Que, todas as janelas dos quartos das crianças estavam fechadas, nomeadamente as janelas que dão acesso ao quarto ocupado pela MADELEINE. Que, após essa verificação regressou ao Restaurante, tendo dito a todos os presentes que as crianças estariam a dormir. Não obstante, nessa altura o Gerry, pai da MADELEINE, dirigiu-se novamente a zona dos apartamentos, para verificar ele também se as crianças estariam a dormir. Que o Gerry teria entrado no seu apartamento e verificado que a MADELEINE e os irmãos estavam a dormir no respectivo quarto e que o mesmo estava escuro. A porta do quarto estava encostada. Que passados cerca de 5 minutos, o Gerry voltou para o Restaurante para junto do grupo. Perguntado, diz que, o GERRY terá ido verificar as crianças nessa altura porque não terá ouvido a testemunha dizer que tinha estado lá.

Que, enquanto jantavam, era usual de 15 em 15 minutos (como acontecia todas as noite), ir algum dos adultos a zona dos quartos para verificar se as crianças estariam a dormir. Que normalmente essa verificação acontecia no interior dos quartos (Verificação Visual), sendo certo que algumas vezes essa verificação ocorria somente no exterior dos apartamentos, junto a zona das janelas dos quartos (verificação auditiva).

Como normalmente, começaram a jantar cerca das 21H3O.

Cerca das 21H25, o depoente dirigiu-se ao interior do seu apartamento e do apartamento da MADELEINE para verificar novamente as crianças. Esclarece que, a porta do quarto ocupado pela MADELEINE e seus irmãos estava aberta e havia alguma claridade no quarto, na medida em que conseguiu ver que os gémeos ocupavam os seus berços. Que de onde estava não via a cama ocupada pela MADELEINE, mas que como estava silêncio, deduziu que esta estivesse lá a dormir. Que essa claridade não era de luz artificial do interior do apartamento, mas talvez alguma proveniente do exterior através da janela do quarto. Que, nessa altura pareceu-lhe que a persiana da janela do quarto de casal estava aberta, desconhecendo se a janela estava aberta.

O apartamento é composto por dois quartos, uma sala, uma kitchnet e um WC. O quarto do casal tem uma janela, a qual é visível do Restaurante. As janelas do quarto das crianças dão ambas acesso ao corredor exterior do complexo turístico.

Seguidamente voltou para o Restaurante.



Esclarece que o quarto tem duas janelas. Os gémeos ocupavam dois berços colocados no meio do quarto e a MADELEINE ocupava uma cama encostada a parede em frente a uma outra parede que possui duas janelas as quais dão acesso ao corredor exterior do complexo. Que a porta pela qual acedeu ao apartamento da MADELEINE estava fechada, mas não trancada. Que, não sabe se é usual os pais da MADELEINE deixarem a referida porta fechada, mas não trancada, na medida em que do referido restaurante há visibilidade para essa porta.



Cerca das 22H00, a Kate, mãe da MADELEINE, dirigiu-se ao seu apartamento para verificar os filhos, tendo regressado ao Restaurante completamente transtornada e a gritar, dizendo que a MADELEINE não se encontrava no quarto. Nessa altura todos os adultos estavam no restaurante.

Acto seguido, todo o grupo saiu do restaurante, tendo ido todos para o apartamento da MADELEINE, sendo certo que os gémeos encontravam-se ainda a dormir no quarto. Que não havia sinais de arrombamento no apartamento. Somente uma das janelas do quarto das crianças é que estava aberta. Estaria aberta a janela e a respectiva persiana.

Que durante as férias, e nomeadamente no dia e jantar de ontem, nada de anormal sucedeu. Que não houve qualquer tipo de alteração no comportamento dos elementos do grupo, nomeadamente no comportamento da KATE e do GERRY, e dos respectivos filhos.

Exterior ao grupo, não houve nada de anormal que tenha sucedido, nem nada de estranho que tenha acontecido. Que o complexo turístico é calmo e que nada de anormal sucedeu.

Que, durante o dia, nos mini-clubes, as crianças eram supervisionadas pelos respectivos funcionários.

Que a MADELEINE é filha de ambos os membros do casal GERRY e KATE.

Desconhece se a MADELEINE padece de alguma doença ou se toma algum tipo de medicamentação.

Que a MADELEINE é muito enérgica, inteligente, obediente, comunicativa e extrovertida.

Os pais da MADELEINE são ambos muito sociáveis, comunicativos, alegres e cautelosos.

Que o casal tem uma excelente relação com os filhos, não havendo tratamentos diferentes entre eles. Que as três crianças foram filhos muito desejados pelo casal, sendo todos fruto de fertilizações "In Vitro".

O depoente julga que esta situação tratar-se-á de um sequestro com o intuito de explorar monetariamente os pais da menor, na medida em que estes são pessoas com algumas posses monetárias.

Junta-se em anexo cópia do mapa do Complexo Turístico.

Por não dominar a Língua Portuguesa, o depoente foi acompanhado neste acto pela Senhora A****** F******** M***** que lhe serviu de intérprete.

E mais não disse. Lido o auto, e explicado o seu conteúdo, o achou conforme, ratifica e vai assinar, juntamente com a intérprete.

Para constar se lavrou o presente auto que vai ser assinado.




Matthew David Oldfield Statement English Translation here


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