10 December 2009

Carta à Maria Inês



por Teresa Baptista

Olá Inês. Tens um nome muito bonito e a fazer lembrar um grande romance de amor que um Rei português viveu, mas que infelizmente estava condenado a acabar de forma trágica. Ui, já foi há muitos, muitos anos!

Tu não me conheces, mas eu sei bem quem tu és! E até sei que fizeste 6 aninhos há poucos dias. Sei que este ano não tiveste a habitual festa de anos, que vives dias estranhamente tristes e que este ano talvez até nem venhas a ter Natal, como todas as outras crianças de Portimão, terra onde vives com os teus pais.

Sei, Inês, que és filha do Dr. Gonçalo Amaral e que esse facto te tem trazido desvantagem, e já começaste a sentir em casa o resultado do cerco montado em torno do teu pai, só porque o trabalho que ele estava a desenvolver era incómodo para uns quantos estrangeiros importantes e ricos, pessoas com altas influências a nível da governação inglesa e que através dessas ligações acabaram por manobrar os cordelinhos em Portugal, fazendo com que a hierarquia da Polícia Judiciária demitisse o teu pai do processo em que estava envolvido e mais tarde, frustrado e desiludido com todas as evidentes perseguições profissionais, ele se tivesse exonerado, reformando-se cedo demais, justamente quando estava a desenvolver investigações sérias com vista à descoberta de um presumível acto criminoso, hediondo, em que os próprios progenitores escamoteiam a verdade dos factos que levaram à morte da filha, duma menina exactamente da tua idade.

A tua vida está completamente diferente, eu sei. Onde havia largueza agora existe aperto, onde reinava a alegria e a felicidade, agora imperam o desgosto, o medo, a angústia.

Talvez não entendas este estranho mundo dos adultos e sobretudo te aflija que afinal, por lutar pela verdade, o teu pai sofra na pele a canga da ingratidão, do desrespeito e da humilhação. Se ele se tivesse vergado à hipocrisia e à mentira de uma encenação de proporções gigantescas, talvez o teu sossego estivesse garantido. Mas ele entendeu e bem, escolher o caminho mais difícil: o caminho da competência, da dignidade e da verdade.

Arrepiante coincidência: o tal Rei português de que te falei, chamava-se Pedro e quando lhe mataram a mulher que amava – Dona Inês – também ele decidiu enfrentar as conveniências da Corte, percorrer um caminho rude e pedregoso, perseguir os responsáveis, punir com as próprias mãos todos quantos haviam ousado mentir e concertadamente praticar um crime de crueldade indescritível.

Pois é Inês, sina a tua, que este ano não vais ter um Natal como merecias e estavas habituada.

Mas, acredita no teu pai, confia nos Homens bons que o rodeiam e dá-lhe ânimo com o teu sorriso, com as tuas gargalhadas espontâneas, com o carinho das tuas meiguices e o calor dessa vozinha encantadora. Vais voltar a ver os teus pais sorrir e certamente voltarás a ter uma consoada abençoada.

Acreditas no Pai Natal? Sabes que ele às vezes aparece e mesmo sem trazer presentes, no saco vermelho que transporta com a ajuda das renas, traz consigo a verdadeira amizade, a justiça, a felicidade e a consciência tranquila e orgulhosa de uma verticalidade difícil de sustentar. Ora aí está uma coisa que em casa dos tais ingleses e daqueles que montaram a cabala da Providência Cautelar, não vão poder ter nunca mais, mesmo que ergam as mãos ao céu numa imploração mentirosa e inconsequente.
Sabes Inês… Deus não dorme… e alguns Homens também não!

Recebe um beijo cheio de ternura desta amiga cujas armas são a caneta e as teclas da máquina de escrever. Um destes dias vamos todos festejar a vitória da dignidade e da verdade sobre a imbecilidade e a mentira.

in Folha do Café, Jornal Regional, nº230, 10 de Dezembro 2009, edição em papel



6 comments:

  1. Muito bonito.Os meus parabéns a quem escreveu e um beijinho muito grande e cheio de força para a Inês, para o Sr.Gonçalo Amaral e restante família.A vida ainda vos trará a recompensa por esta luta penosa pela reposição da verdade.Quanto aos pais da criança inglesa e a todos os cúmplices que com eles pactuaram nesta farsa hedionda só tenho a dizer o seguinte : TODOS NÓS COLHEMOS UM DIA AQUILO QUE PLANTÁMOS.

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  2. A intenção de quem escreveu este texto carinhoso e com esperança de dias melhores,"Um destes dias vamos todos festejar a vitória da dignidade e da verdade..." foi boa. Como também está certo o terem colocado aqui.

    Mas, na minha opinião, para não haver mais mágoas naquela sacrificada Família, o texto poderia usar a ambiguidade:

    não colocar os nomes reais.Teria o mesmo impacto. Pelo menos nos blogues,concordo que assim se apresente.
    Bom,mas certamente que por lá reconheceriam o caso("in Folha do Café, Jornal Regional, nº230, 10 de Dezembro 2009,edição em papel".)

    *****

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  3. Maria Ines, nome de lutadora, de resistente e vencedora. NOME DA RAINHA DE PORTUGAL QUE POR NUNCA O TER SIDO, SE TRANSFORMOU NUMA ETERNA RAINHA!

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  4. What a sick letter and the writer is sicker. Using a child to get support for her father is disgraceful. Joana, I hope you get coal in your stocking this year for being such a hateful human being. Hang your head in shame.

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  5. Anon at 4

    Shades of Rosiepops methinks!

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  6. Anon 4,
    All the evil and poison you have inside you is getting to your head .You were probably thinking about gerry and kate mccan using their twins to gain sympathy from the public and then you got confused and wrote your stupid comment.But this is not about them .This is about someone wishing well to a little girl,Amaral's daughter, who is being punished just because her father did his job and refuses now to be a coward like all the others who know he is telling the truth and do nothing to help him.It seemms the mccanns and their supportes do not care about this child.But they don't even care about Madeleine so why am I surprised...

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