11 January 2010

“Grau de Destruição”



Em 1966 F. Truffaut realizou o notável “Fahrenheit 451”. Esta película de ficção científica, que sempre me apaixonou, encontra no momento actual uma das suas mais infelizes concretizações com a notícia, publicada num jornal diário, cujo título é: “Casal McCann pede destruição total de livros”.

por Dr. Paulo Sargento

Com efeito, os McCann têm pedido muito e dado muito pouco ou, mesmo, nada! É lamentável que, já, nem eles falem da pequena Madeleine McCann (sua filha e co-requerente no processo – ainda que, infelizmente, nenhum tribunal conheça o seu paradeiro actual e, consequentemente, estatuto jurídico) e estejam mais preocupados com a sua imagem pública e com os, hipotéticos, avultados lucros de livros e vídeos que contrariam a sua versão do que aconteceu a 3 de Maio de 2007.

No meio desta luta inglória cabe, contudo, questionar: onde está Madeleine? Após o arquivamento do processo, o que foi feito para a encontrar?

Uma das testemunhas arroladas pelo casal McCann é Dave Edgar, um dos “detectives privados” que, nos últimos tempos, se têm dedicado a procurar a menina.

Pensemos um pouco de forma simples: com tantos detectives privados que, nos últimos dois anos, têm trabalhado no caso, o que foi conseguido relativamente à localização da pequena Madeleine? Nada. Infelizmente, Nada. Por que razão? Será que é sensato acreditar que tal insucesso se deve ao livro de Gonçalo Amaral? Será que o Mundo inteiro se desinteressou da pequena Maddie devido aos argumentos do ex-inspector Gonçalo Amaral? Das duas, uma: ou Gonçalo Amaral é Genial ou o Mundo é Estúpido!

O processo relativo ao caso Maddie pode ser reaberto. Basta que Kate McCann, sua mãe, aceda a responder a uma única das mais de quatro dezenas de questões que se recusou, conscientemente, a responder, em Setembro de 2007.

Realizei, em conjunto com o meu colega Pedro Gamito, a primeira simulação 3D sobre os acontecimentos do dia 3 de Maio de 2007. Apresentei argumentos para sustentar a conclusão de que a tese de rapto era insustentável. O argumentário, que ora repito, resume-se ao seguinte: foram os pais da menina a sugerir a hipótese de rapto, apresentando uma sequência de tempos de vigilância às crianças (que não só a Maddie) que não ultrapassava, em média, os 7 minutos em termos absolutos (valor que seria severamente diminuído se contássemos, para além das deslocações dos diversos personagens do tapas 9, com as referidas paragens, junto ao apartamento, para conversas entre os referidos personagens). Que critérios tem o casal McCann, ou os detectives que tem contratado, para demonstrarem a possibilidade de se tratar de um rapto? Confesso que gostaria de conhecer, pelo menos, um argumento que pudesse ser colocado à discussão e argumentação lógica. Lamento que até agora tal não tenha acontecido.

É triste! Em vez de serem apresentados argumentos que sustentam uma tese, são esgrimidas tentativas de destruição das teses contrárias, facto que, nem sequer, merece o qualificativo de antítese.

Madeleine McCann não é filha de Gonçalo Amaral! Madeleine McCann é filha de Kate e de Gerry McCann. Lamento que o casal McCann insista em preocupar-se mais com Gonçalo Amaral do que com a sua filha e que, tal como no filme “Fahrenheit 451”, julgue que os Bombeiros, ao invés de apagarem fogos, devem incendiar livros…




11 comments:

  1. Talvez exista uma tendência do casal para a piromania: começaram por incenerar o corpo da filha (with a little help from a special friend) agora querem queimar os filhos, quem sabe, mais tarde Roma...? Londes...?

    ReplyDelete
  2. Correcção... onde se lê filhos deve ler-se livros... é assim as pessoas entusiasmam-se e incendeiam tudo... até a família... se não fosse tão sério até dava vontade de rir.

    Os dentes de leite desaparecem num crematório ou podem ser identificados se forem encontrados?

    ReplyDelete
  3. Já está na hora de o doutor Sargento ser promovido a General.Reconheço as palavras que disse no As Tardes da Júlia.Realmente muito lógico.
    Realmente os pais nada fizeram para procurar a filha.
    Só se preocuparam com a própria imagem pública e tirando proveito de serem fotogênicos.
    Já aqui perguntei algumas vezes onde fora parar o Mitchel, já que comentários e explicações estavam vindo de "uma fonte perto da família" ou mesmo de "um parente" não identificado, e de repente o Mitchell reaparece.
    Isto é trabalho mal feito e são os blogs que determinam o que os McCanns devem dizer e fazer.
    Sossego eles não têm.
    Deus que me perdoe mas a tensão em volta destes interrogatórios nos próximos dias está parecendo a Copa do Mundo de futebol, todo o mundo nervoso se o próprio país vai ganhar.
    É, o futebol foi inventado pelos ingleses mas a taça vai para os países do sul.

    ReplyDelete
  4. Maddie Case Files appears to be down.
    Anyone know anything?

    ReplyDelete
  5. A menina não deve ter sido cremada, não.
    Qualquer fumaça atrairia a atenção de terceiros.
    Ela deve estar enterrada em algum canto, não longe de onde morreu.
    Acho que pode estar enterrada num subterrâneo de uma casa de algum inglês e sob cimento.
    Inspriração vindo de Edgar Allan Poe.

    ReplyDelete
  6. Porque, efectivamente, os McCann, em vez de gastar em advogados e PR, não pagam alguém para escrever a sua versão, argumentada, da historia? Assim é que se faz entre pessoas civilizadas ! Destruir em vez de criticar é um recurso de pobres de espírito.

    ReplyDelete
  7. SU 5
    The site is fine and running.

    ReplyDelete
  8. Paulo Sargento is an intelligent guy. Nice article, Joana.
    I am so glad Dave Edgar was called as a McCann witness. Will he explain in court how he came to conclude that Madeleine is being kept in that famous lair situated within 10 miles of PDL? No of course not, he cannot disclose because of the risk of jeopardizing the secrecy involved in the ongoing investigations LOL!
    With De Freitas officially gagged, I only hope Amaral's lwayer will squeeze this guy and make him sing. I'd love to see him shooting his own foot.

    ReplyDelete
  9. I hope the judge asks Edgar how much he is being paid by the McCanns to churn out this load of distracting BS.

    ReplyDelete
  10. Meu Caro Paulo Sargento:

    Já somos dois, pelo menos. Também sou fã do "Fahrenheit 451". para os que não leram o livro de Ray Bradbury em que o filme é baseado, tomo a liberdade de deixar aqui dois pormenores: a acçção ocorre num país imaginário (?) onde uma feroz ditadura aboliu os livros. O trabalho dos bombeiros, como salienta o Paulo Sargento, inclui a tarefa de destruir, com lança-chamas, todas as bibliotecas clandestinas descobertas pela polícia secreta ou denunciadas pelos vizinhos, amigos, colegas. A temperatura necessária para queimar o papel é de 451 graus Fahrenheit (cerca de 230 graus Celsius...)

    Cumprimentos
    Paulo Reis
    www.gazetadigital.blogspot.com

    ReplyDelete