3 February 2010

Lápis de anidro penta hidratado ( azul )

Artigo 19.º
(Liberdade de expressão e de informação)


Todo o indivíduo tem direito a liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.



por Adelina Barradas de Oliveira, Juíza Desembargadora

Ainda há dias vos dizia aqui, a propósito da reunião do  Parlamento Europeu sobre a mesma  que, a liberdade de expressão só será possível numa democracia esclarecida.

Vejamos o que aconteceu quase simultaneamente com Saramago e o seu novo livro. Olhemos a providência cautelar pedida contra um livro que já circulou por aí.

Mas a crítica ou a vontade de não ouvir, ou ler, ou saber o que não vai ao encontro dos nossos quereres e, principalmente dos nossos saberes, não é nova e, provavelmente para nosso mal, nunca será velha.

Dizia e muito bem Salazar que :- "Os homens, os grupos, as classes vêem, observam as coisas, estudam os acontecimentos à luz do seu interesse." Mas se bem o dizia , melhor o pensava e, logo a seguir entendia da altura da sua cadeira de poder que :- "Só uma entidade, por dever e posição, tudo tem de ver à luz do interesse de todos".

O decreto 22 469 é explícito ao instaurar a censura prévia em publicações periódicas, "folhas volantes, folhetos, cartazes e outras publicações, sempre que em qualquer delas se versem assuntos de carácter político ou social".

Mas Salazar não serve de exemplo. A censura ou o lápis azul, não surgem apenas na época de Salazar e não é apanágio da nossa história.

A censura é tão velha como o medo do Homem em ser confrontado com opinião diversa da sua,  ou escrita, ou fala que se interponha entre si e os seus fins.

Deixo-vos aqui recortes de história que são ou não, conforme o entenderem, limites a uma verdadeira liberdade de expressão.

São poucos exemplos, se por acaso tiverem mais.... Juntem-nos a estes.

É  um exercício conjunto de pensamento e uma procura de esclarecimento para que paremos para pensar até que ponto estamos preparados para ouvir ou entender, discutir ou  argumentar (mas deixar ser,) a opinião que não é a nossa e que pode ser maioria e, porque diferente, sempre enriquecedora na medida em que nos faz pensar, questionar, criar , mudar e avançar na formação pessoal ou global de uma vivência que se quer esclarecida e portanto serena.

O azul de um lápis, feito de cristais de medo, tem de ser desfeito pela coragem de nos revermos no olhar do outro e na coragem de pensarmos em voz alta.

Nem o medo de ler, nem o medo de escrever, ou o medo de criar, fazem crescer culturalmente ou enriquecem uma civilização, qualquer democracia ou qualquer futuro.
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   Em 1989 o aiatolá Khomeini condenou Salman Rushdie à morte, depois da publicação de sua obra Versos Satânicos  Caim" é o novo romance de José Saramago, e Deus é uma das personagens principais PSP apreende livros por considerar pornográfica capa com quadro de Courbet  
 
O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991 ) é um romance de José Saramago que conta a história da vida de Jesus de uma maneira moderna e anti-religiosa.

Os primeiros livros de que há memória de serem censurados em Portugal pelo poder régio foram as obras de John Wycliffe e de Jan Hus , proibidas e mandadas queimar por um Alvará de 18 de Agosto de 1451 , por D. Afonso V .

Mais tarde, há notícia da repressão da divulgação de textos luteranos por parte de D. Manuel , o que levou o papa Leão X a agradecer-lhe oficialmente em 20 de Agosto de 1521 .

Em 1486 foi publicado um livro chamado Malleus Maleficarum (Martelo das Bruxas) escrito por dois monges dominicanos, Heinrich Kramer e James Sprenger. O Malleus Maleficarum é uma espécie de manual que ensina os inquisidores a reconhecerem as bruxas e seus disfarces, além de identificar seus supostos malefícios, investigá-las e condená-las legalmente. O Decreto de 31 de Março de 1821 leva à abolição do Tribunal do Santo Ofício, por este ser "incompatível com os princípios adoptados nas bases da Constituição ", sendo as "causas espirituais e meramente eclesiásticas" restituídas à "Jurisdição Episcopal". A Constituição de 1822 estabelece a liberdade de imprensa ("a livre comunicação de pensamentos"), sem necessidade de censura prévia, ainda que se ressalve que quaisquer abusos pudessem ser sancionados "nos casos e na forma que a lei determinar".
 
Com a Primeira Guerra Mundial, é instaurada a censura a 12 de Março de 1916 , na sequência da declaração de Guerra por parte da Alemanha . Foi dada a ordem de apreensão de todos os documentos cuja publicação pudesse prejudicar a defesa nacional ou que fosse constituída por propaganda contra a guerra.

A Constituição Portuguesa de 1933 , publicada a 11 de Abril , sai ao mesmo tempo que o Decreto 22 469. Enquanto que o artigo 8.º da Constituição, no n.º 4, estabelece "a liberdade de pensamento sob qualquer forma".

Durante o Estado Novo, A Inspecção Superior de Bibliotecas e Arquivos proibia a leitura de determinados documentos - não se podia ler nada referente à Índia Portuguesa que fosse posterior à Guerra de Baçaim (1732 /1739 ) e a Biblioteca Nacional continha obras listadas que não podiam ser lidas.

 Já Luís de Camões teve de submeter o texto de "Os Lusíadas " aos censores do Santo Ofício , no Mosteiro de S. Domingos , discutindo-o verso a verso. Aquele que hoje é considerado o poema maior da Lusofonia passou mesmo por uma fase de esquecimento, sendo ignorado e desprezado, o que também pode ser considerado uma forma subtil de censura.

A 25 de Julho de 1567 , Damião de Góis via impressa a quarta parte da sua Crónica do Felicíssimo Rei D. Manuel . No entanto, mais de cinco anos depois, esta ainda não estava à venda porque, supostamente, o bispo D. António Pinheiro tinha de emendar um erro numa página. A censura prévia dava, portanto, lugar a abusos de poder por parte dos censores quando estes tinham alguma questiúncula com os autores.

Até o Padre António Vieira foi preso pela Inquisição, de 1665 a 1667 , por defender abertamente nos seus escritos os cristãos-novos e criticar a forma de actuar dos dominicanos do Santo Ofício.

O dramaturgo António José da Silva , conhecido pela alcunha de "O Judeu", foi preso e torturado em 1726 , juntamente com a mãe. Em 1737 foi preso novamente, também com a mãe, esposa e filha, sendo degolado e queimado num auto-de-fé no Terreiro do Trigo em Lisboa. A mulher e a mãe foram igualmente queimadas vivas

Estado Novo, Maria Velho da Costa , Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno viram-se envolvidas num processo judicial que ficou famoso devido à publicação da sua obra conjunta "Novas cartas portuguesas ", que conteriam partes pornográficas e imorais - hoje é consensual que a obra faz apenas uma crítica mordaz ao patriarcalismo lusitano e à condição da mulher em Portugal.

Muitos foram os autores que viram os seus livros apreendidos ou foram presos, como Soeiro Pereira Gomes , Aquilino Ribeiro , José Régio , Maria Lamas , Rodrigues Lapa , Urbano Tavares Rodrigues , Alves Redol , Alexandre Cabral , Orlando da Costa , Alexandre O´Neil , Alberto Ferreira , António Borges Coelho , Virgílio Martinho , António José Forte , Alfredo Margarido , Carlos Coutinho , Carlos Loures , Amadeu Lopes Sabino , Fátima Maldonado , Hélia Correia , Raul Malaquias Marques , entre muitos outros.

Aquilino Ribeiro, por exemplo, viu apreendido o seu livro Quando os lobos uivam , de 1958 o ano em que nasci.

O tribunal decidiu, embora provisoriamente uma vez que se trata de um procedimento cautelar, a proibição de as editoras venderem os livros e vídeos de Gonçalo Amaral "que ainda restarem nas bancas ou noutros depósitos ou armazéns e a obrigação de recolherem e entregarem a uma depositária" esses exemplares.*

Mais sobre o assunto aqui
 
____escrito em 29.10.2009________

(post revisitado)- publicado 22:53 Terça-feira, 2 de Fev de 2010 , in Expresso


*Nota por JM: O livro de Gonçalo Amaral foi entregue à advogada dos McCann em Portugal; recentemente os média publicaram que o casal McCann pede a destruição completa e irreversível de todas as cópias do livro 'Maddie, A Verdade da Mentira', bem como do documentário baseado nesse livro. É inadmissível a destruição de livros numa sociedade que se diz e que se deseja democrática.
article on books censorship in Portugal to be translated tomorrow



22 comments:

  1. Excelente artigo, muito bem escrito.
    Isto me faz lembrar que, depois do golpe militar no Brasil em 1964, livros de educação sexual foram moralizados por bispos, capítulos tirados, etc.
    Não chegaram a ponto de aconselhar-nos o uso da cegonha, mas quase.

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  2. Sabe-se, Joana, se a ID afinal depositou queixa contra o GA por ter supostamente divulgado segredos da instrução antes do processo ficar arquivado ?

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  3. On updates of Findmadeleine.com, Kate writes that there is a lot in the files that Amaral did not tell in his book.

    Does she mean the rest of Mrs Gaspar's statement, about Gerry?

    Thanks for warning, Kate.

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  4. This comment has been removed by a blog administrator.

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  5. Anónimo 4,

    Afinal as coisas não são bem assim, ou serão?

    http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=B9F4A33B-FBF5-4F46-989C-3E70431582D1&channelid=00000092-0000-0000-0000-000000000092&h=5

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  6. Pelo amor de deus , era o que faltava ter aqui a crónica do Henrique do Expresso, o gajo que saltou em defesa dos McCann desde 2007, o mesmo que disse que perdia a fé na humanidade se os McCannn fossem presos pela PJ e culpados pela morte da filha, o mesmo que mete em causa o contraditório que é tão necessário antes da publicação de qualquer artigo que acuse, o mesmo que serve a voz do dono de forma parcial há anos.

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  7. ps. o caso Mário Crespo tem contornos e aproveitamentos políticos que nada tem a haver com a censura - desde quando se publica o diz que diz como facto?- parecem putos queixinhas!

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  8. comentário do anónimo 4 para ref: BRILHANTE ARTIGO A DENUNCIAR O QUE VIVE HOJE PORTUGAL: UM GOVERNO QUE SILENCIA JORNALISTAS INCOMODOS E UM CASAL INGLES NEGLIGENTE QUE TENTA SILENCIAR A POLICIA E A JUSTICA PORTUGUESA IMPONDO A SUA VERSAO DOS ACONTECIMENTOS.
    QUAISQUER QUE SEJAM OS ACTORES, URGE GRITARMOS NAAAAAAOOOOOO!!!!

    retirado o artigo do HM do Expresso

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  9. 8-} A admonição da Dra. Adelina Barradas de Oliveira não podia ser mais clarividente. A democracia Portuguesa pós-25 de Abril, terá agora de aguardar no sinal vermelho para poder seguir... O camião dos Mc's deu-lhe um "spin" mesmo em frente e o reboque está furado...

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  10. Comeca a ser habito no Portugal de hoje, deixar que a censura crie raizes, porque perseguir quem pensa diferente, quem ousa contar a verdade, quem se insurge e diz "NAO" e pratica aceite e adoptada por quem detem o poder, para continuar a reinar, para impor as suas conveniencias, alheio aos interesses do pais e dos portugueses.

    AS PERGUNTAS QUE URGE FAZER E SOBRE AS QUAIS TODOS NOS PORTUGUESES TEMOS DE REFLECTIR SAO:- SERA QUE NUM OUTRO TEMPO, JA APOS O 25 DE ABRIL, COM UM OUTRO GOVERNO, COM OUTROS ACTORES PRINCIPAIS NA JUSTICA, A PROVIDENCIA CAUTELAR E A PROIBICAO AO LIVRO DE GONCALO AMARAL ERA POSSIVEL? OU MELHOR, ERA PLAUSIVEL?
    -SERA LEGITIMO PEDIR INDEMNIZACOES TAO OBSCENAS COMO 1.2 M. EUROS, SOB PRETEXTO DE DIFAMACAO NUM CASO JUDICIALMENTE POR RESOLVER, COM METADE DA INVESTIGACAO POLICIAL POR FAZER E A QUE FOI FEITA, CLARAMENTE MANIPULADA OU PREJUDICADA POR QUEM SE DIZ OBJECTO DA DIFAMACAO?

    - SERA LEGITIMO E MORALMENTE ACEITAVEL, USAR AMIZADES ESTRATEGICAMENTE COLOCADAS EM INSTITUICOES BANCARIAS OU OUTRAS COM LIGACAO AO PODER POLITICO E ECONOMICO, PARA PRESSIONAR JORNAIS e TVs, UTILIZANDO A CONCESSAO OU NAO DE CREDITO A ESTAS ENTIDADES CONSOANTE ELES SIRVAM OU NAO OS INTERESSES E AS CONVENIENCIAS DE UM GRUPO EM PARTICULAR?

    - SERA ACEITAVEL CONTINUARMOS A FECHAR OS OLHOS E A ENGOLIR DESCULPAS DE QUE HA ESCUTAS QUE NAO podem SER REVELADAS SO PORQUE ENVOLVEM O PM E HA PAIS QUE DEVEM TER UM TRATAMENTO DE EXCEPCAO SO PORQUE SAO MEDICOS, INGLESES E DIZEM-SE AMIGOS DE ALGUEM LIGADO AO PODER EM TERRAS DE SUA MAJESTADE?

    A RESPOSTA A TUDO ISTO E NAO!!! NAAAAAOOOOO! NAO!

    O 25 de Abril e a democracia, uniformizam os cidadaos nos seus deveres e direitos. O ESTATUTO SOCIAL, A RACA, A COR DA PELE, O GENERO, A RELIGIAO, A LIMITACAO FISICA OU MENTAL, A IDEOLOGIA POLITICA OU A ORIENTACAO SEXUAL, NAO PODEM SER FACTORES DE DESCRIMINACAO, MESMO QUE SEJA DESCRIMINACAO POSITIVA.

    comeca a ficar claro porque e que os Mccann se "safam" tao bem em Portugal. NAO E POR SEREM 2 PAIS INOCENTES, VITIMAS DE UMA POLICIA INCOMPETENTE. E PORQUE OS ENSINARAM A USAR OS METODOS DO PRIMEIRO MINISTRO. AINDA HAVEMOS DE DESCOBRIR UM DIA SE NAO RECORREM AOS MESMOS ADVOGADOS E AS MESMAS EMPRESAS DE PROMOCAO E GESTAO DE IMAGEM. E que sao sempre os mesmos advogados a serem convidados para comentarios e pareceres nos Media controlados pelo Estado e sao sempre os mesmos advogados a defenderem os politicos com problemas na justica. NESTES ASSUNTOS NAO HA INOCENTES COINCIDENCIAS....
    ESPEREMOS QUE A JUIZA GABRIELA NAO SE DEIXE MANIPULAR NEM PRESSIONAR PELOS AGENTES DA VERGONHA NO PORTUGAL DE HOJE, E que liberte e devolva o livro as prateleiras das livrarias para que le-lo ou nao, seja uma decisao fruto do direito de escolha individual de cada cidadao. E espero que ela tenha a coragem de lutar pela verdade e pela justica que Madeleine, enquanto crianca e cidada merece, requerendo a reabertura do processo Maddie e o continuar da investigacao com as autoridades inglesas obrigadas a esclarecer e enviar todos os dados exigidos pela investigacao portuguesa. ATE AGORA, NESTA TRISTE TRAGEDIA, SO TEM HAVIDO PREOCUPACAO COM KATE E GERRY MCCANN, COM O QUE ELES PENSAM E SENTEM. IGNORAM o que Madeleine pensou e sentiu, o que sofreu, a forma como foi negligenciada mesmo depois do seu pedido de ajuda, ja que a mae admitiu publicamente o choro da filha e os seus medos quando esta lhe perguntou:" PORQUE NAO VIESTE ONTEM QUANDO EU E SEAN CHORAMOS?" E chorou longamente, segundo testemunho da vizinha.

    QUANDO SERA QUE OS AGENTES DA JUSTICA PORTUGUESA VAO REALMENTE FAZER USO LITERAL DOS TITULOS QUE PREENCHEM OS ARTIGOS DOS JORNAIS - " Caso Maddie". E que e apenas e so, o caso Maddie, nao o caso Kate ou Gerry ou Goncalo Amaral.
    A vitima parece ser um simples devaneio nos meandros de tantos interesses pessoais que tem tanto de estranho quanto de surreal.

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  11. I received .yesterday, by mail, the book " A MORDACA INGLESA" because I live outside of Potugal. I did not read the book yet but it was wonderful to see at the front cover " SECOND EDITION". Means a best-seller, thousands of books sold. Thousand books of a book which tells the story of a forbidden book. WAW!!!! Wonder to see how much longer the opportunists Mccann's will wait until they find an excuse to forbid that book.
    AND AMAZING TO SEE THE MONEY FROM MADELEINE'S FUND SPEND NOT ON A CAMPAIGN TO FIND HER , BUT IN BUYING THE NEW BOOK OF AMARAL. BECAUSE THEY WILL NOT SURVIVE WITHOUT KNOWING WHAT HE WRITTEN ON IT.
    CONGRATULATIONS AMARAL.... YOU KEEP THEIR MINDS BUSY!! Another sign to show us how intelligent you are.

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  12. Ola Joana, Sou anon. 4.
    Peco desculpa por ter enviado para o Blog o artigo de HM do Expresso. Nao sabia que o dito senhor tinha ja feito consideracoes tao inapropriadas a proposito do caso Maddie. E o Problema de nos portugueses que vivemos fora de portugal- NEM SEMPRE APANHAMOS TODAS AS COISAS, pois cao contrario teria ja incluido este senhor na lista de Miguel Sousa Tavares e Marinho Pinto ( GENTINHA PARA NAO LER E NAO OUVIR).

    E um facto, pelo menos assumido internacionalmente pela comunidade inglesa e portuguesa com a qual convivo, que os Mccann so tem credito em portugal porque usam as estrategias do Primeiro Ministro.

    Pelo menos isto serviu para informar muitos nao residentes em Portugal sobre a forma como muitos jornalistas se comportam num caso em que esta em causa a justica para uma crianca. OBRIGADO PELA INFORMACAO... E desculpem o POST.

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  13. Há pessoas que comentam regularmente neste blog, que aproveitam para juntar a sua voz a uma parte da cena partidária do nosso país chamada "bota abaixo". Creio que não é este o espaço ideal para o fazer, e não fica bem utilizar este blog como arma de arremesso político seja contra quem fôr. Para isso existem as colunas de comentários em dezenas de jornai diários. Há por aqui alguém que exibe uma confusa diarreia verbal utilizando o caso Maddie como subterfúgio para ataques políticos patetas. Não é correcto.

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  14. anónimo 11 desligue os caps, não é preciso escrever com letras capitais para fazer valer o seu ponto de vista, e concordo com a/o Fernis, já hoje tive que remover um comentário aqui que nada tinha a haver com a censura referida no artigo que aqui se publica. Apesar de sabermos que no desfecho prematuro do caso Maddie houve interferências e pressões politicas internas e estrangeiras, no caso da censura ao livro de Gonçalo Amaral nenhum partido politico Português deu apoio ao visado excepto o MPT e o PCP. Ou seja, o mal não está numa só pessoa como você, anónimo 11, tenta dar a entender mas está sim numa covardia profunda que atinge indiscriminadamente à esquerda e à direita.

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  15. É exactamente esta covardia que mete medo, porque afinal ninguém pediu a ninguém de acreditar no que diz o GA. Não se tratava de apoia a sua tese mas sim o direito de publica-la.
    Por isso o que eles afinal receiam ?

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  16. Joana, o Fernis agradece a concordância e secunda a tua opinião sobre a covardia prevalecente quer na esquerda quer na direita.

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  17. Ola Joana e Fernis, sou anon 4 outra vez. Acho que hoje estou na berlinda por ter cometido o erro de enviar o artigo de HM no Expresso.
    Voces podem nao concordar comigo porque tem porventura mais informacao sobre o que se passa em portugal do que eu tenho vivendo fora da Europa. A verdade e que por estas bandas do Golfo Persico e da India, e consensual que os Mccann so fazem o que fazem com Portugal porque o poder politico portugues o permite. Porque? E a grande questao.... Porque e que a oposicao nao se insurge para credibilizar a policia? E outra grande questao, para a qual ate posso alvitrar uma resposta especulativa- porque todos tem telhados de vidro.
    Tambem concordo que este Blog nao deve ser usado para fazer campanha politica contra ou a favor de alguem. Ja nao concordo quando se diz que ha aqui quem ligue o caso Maddie ao poder politico vigente em Portugal para uma especie de campanha que ainda nao percebi bem qual e. Eu ligo-o muitas vezes, tal como o ligo a Gordon Brown e nao me interessa nada a politica de nenhum dos dois paises, nao voto nem escolho em nenhum. Quer queiramos, quer nao, o lado mais obscuro do caso Maddie ficara para sempre ligado aos contornos politicos que o inquinaram. Se foi excesso de zelo, ingenuidade ou algo mais, nao sei. A verdade e que a imagem de Portugal nunca esteve tao ma e isso deve-se apenas a forma como foi gerido o caso Mccann. Pois para a maioria dos portugueses que vivem fora de Portugal, pouco lhes importa quem esta no poder ( a maioria nem vota) e e-lhes perfeitamente indiferente a trica que vai crescendo dentro do pais. Mas ja nao e indiferente o comentario que muita vez se houve quando dizemos que somos portugueses: " Como e que deixaram fugir os pais da maddie se eles abandonaram os filhos?", "E verdade que em portugal a policia acusa as pessoas sem ter provas?", "Voces nao tem medo que algum raptor vos leve um dos filhos?", " Em Portugal ha muitos pedofilos?", etc. Nao sei que outra resposta se possa encontrar a nao ser o poder politico. Que provavelmente tera usado os mesmos metodos sempre,independentemente da cor partidaria, so que eles passavam despercebidos porque nao havia um caso galacticamente mediatico como o dos Mccann.
    Nao falarmos desta ligacao nos Blogs que se dedicam ao caso Maddie e fazermos o papel condenavel da oposicao politica portuguesa que tudo cala e consente.
    Mas se falarmos dessa ligacao significa sermos acusados ou conotados com uma determinada campanha, entao hoje desiludi-me um pouco com o espirito de algumas pessoas aqui e com a filosofia deste blog que tem querido ser baluarte de livre expressao e de luta contra a censura.
    Peco desculpa uma vez mais por ter enviado o artigo do Expresso. Provavelmente ja terei enviado outros noutras ocasioes porque para mim, independentemente do PM portugues ser quem e e das historietas que o circundam, o caso Maddie tem a neblina da inverticalidade dos politicos portugueses que nunca foram capazes de defender G. Amaral perante os insultos de que era vitima em Inglaterra. Nunca foram capazes de impor as leis e a justica portuguesa e por isso, os Mccann abandonaram Portugal tratados como estrelas de cinema e o livro de G. Amaral acabou na barra de um tribunal, provisoriamente proibido mesmo que apenas descreva factos apurados por uma investigacao oficial e credivel.
    OK. Vamos dizer que a culpa e so do Gordon Brown e das amizades de Mitchell e dos Mccann, estrategicamente ligadas a politica e a economia.

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  18. "Ou seja, o mal não está numa só pessoa como você, anónimo 11, tenta dar a entender mas está sim numa covardia profunda que atinge indiscriminadamente à esquerda e à direita."

    Concordo. Ha porem um parentesis enorme que eu nao posso esquecer ou ignorar- essa pessoa, detem um dos poderes maximos do pais e soube vir a TV, a quando do tratado de Lisboa, anunciar ao mundo que estava a seguir com interesse ( o que significa pessoalmente para qualquer bom entendedor) a investigacao ao caso Madeleine "Beth" Mccann. ressalto Beth porque foi a primeira vez que milhoes de portugueses ouviram o nome completo da menina.
    Essa mesma pessoa que e tao eloquente, que tantas vezes salta em defesa do seu bom nome e do dos seus amigos nas primeiras horas apos saida de noticias pouco abonatorias ( ainda hoje saiu uma nota do seu gabinete a desmentir uma noticia fresquinha do jornal Publico), nunca exigiu um pedido de desculpas, nunca reagiu com a mesma veemencia perante os insultos de que a sua policia era vitima. Nunca mandou um dos seus amigos defender publicamente o nome e a imagem do embaixador portugues em Inglaterra. Alguns deputados, incluindo os do partido dele, fizeram-no no parlamento europeu, mas sempre realcando que era uma reaccao individual.
    Claro que o mal que prolifera na justica portuguesa nao e culpa exclusiva do governo. A oposicao frouxa, desnorteada e tambem ela sem verticalidade, tem muita culpa. Nao e capaz de levar nada ate ao fim com coragem. Se eles nem sabem arrumar a propria casa, como e que tem autoridade para arrumar a que pertence a todos nos? Mas eu continuo a defender que tal como os poderes nao sao iguais, as culpas tambem o nao sao e quem detem o poder maximo sobre as instituicoes e o governo, por isso quem o chefia tem mais culpas ou tem uma culpa maior.
    Eu coloco-me no lugar dos PJs portugueses, especialmente no lugar dos que foram destacados, por convocacao ou por forca das circunstancias para o caso Maddie, e ainda mais especialmente no lugar de G. Amaral, e nao consigo imaginar o desalento, a frustracao, a revolta de se ter feito um bom trabalho e se acabar assim...silenciado, insultado, amordacado e perseguido com total apatia do Estado. Afinal no exercicio das suas funcoes, foi o Estado que eles estiveram a servir e por isso mereciam mais respeito e consideracao. Ao inves, foram vitimas de uma entrevista estrategicamente armadilhada por um jornal, que por acaso serve muitas vezes os interesses do poder, para afastar o incomodo coordenador da investigacao. Uma sacanice servida num dia de aniversario e feita ecoar ao mundo inteiro. Nem tiveram a humanidade de escolher outro dia ou de lhe enviar uma nota previa, oficial, a anunciar que prescindiam dos seus prestimos. Nao sei como classificar quem lidera um governo que deixa que quem chefia as suas instituicoes use metodos assim, numa democracia, fazendo uso da liberdade mas ignorando direitos e usurpando o dever com o lugar de poder que ocupa. Nao merece por certo os votos de quem o elegeu e por isso tem vindo a ser o principe que progressivamente se transformou num sapo. Sob esse aspecto, G. Brown esteve bem melhor, defendeu os interesses dos seus cidadaos ainda que eles nao o merecam.(CONT)

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  19. (CONT)
    O que quer que se tenha passado com o caso Maddie, tem a chancela e o inicio na entrevista armadilhada a G. Amaral, por isso nao me venham dizer que so houve pressoes na altura em que o caso foi arquivado e que a censura ao livro ja nao e fruto dessas pressoes. Elas podem estar camufladas, discretas mas existem. Por isso nascem nos casos sombra os Aragaos Correia e ate o Bastonario dos advogados se presta a alguns papeis. A Providencia cautelar dos Mccann morreria na hora da sua intencao se houvesse politicos corajosos e honestos em Portugal. Nao ha, e ha uma grande promiscuidade entre responsaveis dos jornais, politicos e advogados, a forca, levados convenientemente para o topo. A independencia e a responsabilidade que exigem a quem trabalha nos orgaos publicos, mais abaixo, e ignorada e raramente norteia quem manda mais acima. E quando alguem tenta furar o esquema e por o dedo na ferida, vira Personna non gratta e e-lhe feita a "folha" servida com algum requinte. Ignorarmos isto e dizermos Sim ao jogo. E pena que os portugueses engulam tudo e se revoltem pouco. Por mim, faco o papel que a minha consciencia dita, usando os direitos que me assistem. Escrevo, barafusto, revolto-me e reclamo mandando e-mails sempre que G. amaral ou a Pj sao insultados, neste caso.
    apesar de estar fora de portugal, sou anon 4, nao engulo o enxovalho e repudio a apatia das autoridades portuguesas. Por isso reclamo com veemencia para o Press Complaints commission ingles, para a embaixada inglesa, para a nossa Presidencia da Republica( que tambem tem feito um triste papel), para o PGR e para o Ministerio dos negocios estrangeiros. Pode ser que um dia mais vozes se juntem, ao inves de acharem que quem se revolta com a apatia e os metodos do governo portugues esta a fazer campanha politica a sombra do caso Maddie. Uma obscenidade, atendendo a que quase todos os que nos tocamos com o caso Maddie, somos pais e maes que respeitamos e amamos os nossos filhos, mas tambem respeitamos a policia e as leis dos paises e por isso acreditamos que estas forcas e estas leis existem para nos protegerem e ser feita justica. Se percebemos que assim nao e, estamos a prestar um mau servico aos nossos filhos e as novas geracoes, nao o denunciando e nao nos revoltando.
    Joana, se entender, nao publique o meu post ou desabafo. E um direito que lhe assiste na gestao do seu Blog e eu respeito-o. Por mim, vou continuar a visitar este espaco e a comentar sempre que achar oportuno ate porque acho que voces tem feito um excelente trabalho, nao so em prol de Madeleine, mas tambem em nome de todos nos. Tem feito aquilo que a maioria da comunicacao social portuguesa nao faz e que eu espero volte a fazer um dia.

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  20. Cara/o anónima/o 4 muito obrigada pelas suas palavras, concordo plenamente com o que diz - o seu comentário é de facto, e infelizmente, o verdadeiro retrato resumido do que acontece no nosso País. um abraço amigo

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  21. Para nós, emigrantes, o apontar de dedos torna-se um exercício perigoso, pois caminhamos neste campo minado que é o jornalismo em Portugal. Não temos pontos referenciais próximos. Com grande facilidade dão-nos notícias que são desmentidas nos dias seguintes. Hoje é, amanhã não é. E depois há a grande moda de "plantar" notícias. Por uns, e por outros. Por isso o meu reparo. De resto estou em perfeita concordância com o meu amigo anónimo/a # 4.

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